Estabilidade e fomento

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao longo do período de 12 meses encerrado em maio, totalizou desembolsos da ordem de R$ 90,27 bilhões, com crescimento de 16% em relação ao período anterior. Trata-se de uma ação complementar bastante significativa em apoio à atuação das demais agências de fomento atuantes no País, segundo a Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE). A entidade congrega 12 agências de fomento criadas pelas administrações estaduais desde a última reforma do sistema financeiro, em 1997, como forma de compensar a privatização de grande número de bancos estaduais.

Para se ter ideia da importância da atuação do BNDES, principalmente com as restrições impostas ao crédito pela rede bancária privada, é suficiente lembrar que entre janeiro e maio desse ano, a instituição federal liberou empréstimos de R$ 32,7 bilhões (incluindo operações de mercado), numa clara demonstração da estabilidade de sua participação num setor vital para o desenvolvimento econômico. Os setores que mais demandaram investimentos junto ao BNDES foram infraestrutura e indústria, com R$ 13,10 bilhões e R$ 12,49 bilhões respectivamente.

No histórico do BNDES, o setor industrial sempre foi o carro-chefe dos pedidos de empréstimos, mas segundo Gabriel Visconti, chefe do Departamento de Orçamento do banco, “nos últimos dois anos os desembolsos para a área de infraestrutura cresceram muito por conta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas também por conta da ênfase que o governo vem dando aos investimentos no setor”. Visconti assinala que a participação do BNDES, “como uma das principais instituições de financiamento a longo prazo”, é visível em todo o território brasileiro.

A região Sudeste lidera o ranking de desembolsos do BNDES por regiões do País, respondendo por R$ 15,36 bilhões, ou seja, 48% do total liberado nos cinco primeiros meses de 2009. O Sudeste já havia se destacado no último período de 12 meses encerrado em maio, quando se beneficiou de investimentos da ordem de R$ 50 bilhões para empreendimentos nos setores da indústria, infraestrutura e outros. Entretanto, a região que mais crescimento comparativo teve na demanda de empréstimos contratados até maio último foi a região Norte, com um aumento de 41%.

Por sua vez, a Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE) está interessada numa aproximação mais estreita com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a fim de implantar um projeto de capitalização das agências de fomento, a exemplo do que já ocorreu com o Banco Central. De acordo com Pedro Falabella, presidente da ABDE, “muitas das nossas sugestões foram aceitas pelo BC”, e agora chegou a vez do entendimento com o BNDES. A criação do programa de desenvolvimento das agências de fomento é defendida pelo próprio presidente do BNDES, economista Luciano Coutinho.

Outros setores do governo também participam do esforço, como o Banco do Brasil (BB), que lançou uma linha de crédito permitindo às empresas antecipar o valor dos empréstimos que têm a receber do BNDES, a fim de evitar as quedas forçadas na produção. A antecipação já era autorizada para as grandes empresas e, a partir de agora, vai se estender igualmente para as menores, quando o projeto apresentado ao banco for considerado viável.

Por sua vez, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou as agências de fomento controladas pelos estados a realizar uma série de novas operações para financiar empresas, tais como câmbio para comércio exterior e arrendamento mercantil (leasing). Um informe do Banco Central garante que o escopo é dar maior estímulo à atividade econômica, atribuindo-se às agências a competência para operações mais sofisticadas e até repassar dinheiro para projetos em outros estados, dando a elas uma configuração de pequenos bancos de desenvolvimento e, habilitando-as a se adequar à realidade do mercado e participar efetivamente do fomento da economia. Afinal, uma bela sacada.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google