Esperando a manifestação

A população está alarmada. Os casos crescentes da gripe A ocasionada pelo vírus H1N1 (a gripe suína, como é comumente chamada) e o número expressivo de mortes na última semana aumentaram o pânico de quem está espirrando, tossindo ou com dor de garganta. Os hospitais estão lotados de gente que acha que está com o vírus e que, por isso, precisa ser internada. A imensa maioria é de pessoas que não têm nada mais que uma gripe comum, mas que fica com medo com a falta de esclarecimentos.

E quem tem que fazer isso é a autoridade de saúde. O Ministério da Saúde está, pelo menos há dois meses, fazendo um trabalho ostensivo – tanto que, dia desses, o ministro José Gomes Temporão foi visto participando de programas matutinos de televisão, coisa que não é comum em um ocupante de cargo tão alto. Mas é o jeito que se encontra para acalmar a população e para explicar sintomas, contágio e cuidados com os que estão (ou não) com a gripe suína.

Aqui no Paraná, lamentamos nesta semana a primeira morte, de uma mulher, adulta, que morava em São José da Boa Vista, no Norte Pioneiro. O fato fez com que as pessoas se preocupassem ainda mais, e as máscaras cada vez mais são vistas nas ruas das grandes cidades.

Neste momento, é muito importante a presença física das autoridades. Não é só promover campanhas de esclarecimento, é vir a público se manifestar e demonstrar preocupação com o fato e confiança com o trabalho dos agentes de saúde. E aí o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin, desaparece.

Ele segue exatamente o contrário da regra. Fica escondido, só fala em situações específicas, não atende a imprensa e não se comunica com a população. Esta, tensa, segue achando que qualquer dor de cabeça é sintoma claro de problema, é sinal que a gripe suína chegou.

É o momento do secretário Martin não escolher onde quer ir. Tem que ir, tal como diz a música, onde o povo está. Sair do casulo e entrar na frente de batalha, liderando seus comandados e tranquilizando a população do Paraná, que por enquanto fica como barata tonta, sem saber o que o governo pensa sobre a gripe A.

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