Esperança de celeridade

A situação do deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB) está muito complicada. Todas as evidências apontam para uma terrível imperícia do político no acidente que matou os jovens Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida. Foram tantos erros que encaminham a acusação por homicídio doloso, quer dizer, com intenção. Ele ainda está internado em São Paulo, mas sofre terrível pressão política e popular.

A sociedade, cansada de testemunhar tantos “poderosos” saírem limpos de processos de todos os tipos, vê no caso a possibilidade da realização de justiça. Se em casos de corrupção é sempre complicado colher provas, desta vez é um crime comum, que tem evidências notáveis e que a cada dia fica com resolução mais simples. Encobrir o desfecho da situação geraria grande frustração na população paranaense.

De outra parte, parlamentares de todos os partidos mantêm o silêncio (com a honrosa exceção do deputado Tadeu Veneri, do PT) sobre o caso. Entretanto, nos bastidores, articula-se a renúncia de Carli Filho no momento de seu retorno para a Assembleia Legislativa Paraná. Tudo para evitar maior desgaste à Casa, já criticada por sua postura subserviente ao poder central.

Por isso, apesar das articulações para uma possível renúncia, o processo de cassação, iniciado pela família de Gilmar Rafael, segue tramitação no Legislativo estadual. A repórter Mara Andrich, na edição de ontem de O Estado, explicou a situação: “O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Nelson Justus (DEM), o corregedor-geral, Luiz Accorsi (PSDB), e o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Pedro Ivo (PT), decidiram ontem abrir um processo de sindicância para apurar a possível quebra de decoro parlamentar por parte do deputado Carli Filho. Se por acaso a análise do processo for positiva, o deputado poderá ter seu mandato cassado. No entanto, a decisão sobre a cassação sairá em dois meses, no mínimo. Ontem, o parlamentar já foi notificado no Hospital Albert Einstein para apresentar sua defesa em dez dias”.

Dois meses pode ser muito tempo. É tempo suficiente para uma articulação que facilite a vida do deputado, ainda mais se for comprovada a culpa. É tempo para que muita coisa aconteça, como a terrível denúncia da mãe de Gilmar Rafael, Cristiane Yared, que afirmou à Rede Independência de Comunicação (RIC) que sofre ameaças de morte por telefone. Quem seria tão cruel para fazer algo deste tipo? O que uma pessoa dessas pretende? Quer calar a tristeza de uma mãe e sua luta por justiça? Quer salvar a pele de alguém mais poderoso? Não faltava mais nada nesta história.

E é por isso que há a esperança de celeridade no trâmite da investigação do acidente e do processo na Assembleia Legislativa. O Ministério Público, órgão responsável pela coleta de dados sobre o acidente (pois Carli Filho, por ser parlamentar, tem direito a foro privilegiado, tanto que seu caso está entregue ao Tribunal de Justiça do Paraná), está mostrando interesse em resolver o “mistério” o mais rápido possível. Os deputados, pressionados que estão, também não deverão demorar muito nas articulações. E, claro, apesar do clamor popular, não se pode prejulgar o caso nem se promover uma desenfreada caça às bruxas. Nem os políticos, muito menos as autoridades de segurança.

Mas não podemos perder tempo. Os responsáveis pela apuração dos fatos e posterior punição pelo crime não podem perder mais tempo. Há famílias que, sem seus entes queridos, esperam apenas por justiça, e não merecem uma agonia sem fim – e ainda complementada por ameaças de morte por telefone. A população, mesmo sem ter ligação direta com o caso, aguarda resultados. Todos querem que haja uma investigação séria, justa e rápida. Ninguém quer que a única alta velocidade da história seja a do Passat alemão que causou uma tragédia em Curitiba.

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