Cada ano que passa, cresce o número de alunos de graduação e pós-graduação que elaboram suas monografias, dissertações e teses sobre esta temática. São pesquisas densas, inteligentes e oportunas. Apresentam conteúdo com características originais e apontam rumos, projetos e responsabilidades tanto das TVs quanto das instituições de ensino. Informar, formar, entreter, divertir, vigiar e integrar são tarefas nobres dos meios de comunicação. Em geral, traduzem o pluralismo de pensamentos e a essencialidade cotidiana. Na contemporaneidade, é vital servir-se de todos os recursos disponíveis e meios de comunicação, em especial a televisão, para educar e ajudar a formar a sociedade toda.
Pelo poder da televisão na era eletrônica e potencialidade de acelerar estágios da civilização, a par da capacidade de reorganizar a realidade social, há consenso entre os pensadores de que a humanidade do século XXI reclama de nova postura ética e padrões morais mais elevados de boa parte dos meios de comunicação social. No mundo inteiro, exige-se dos profissionais que atuam na esfera das mídias inovadoras, como as TVs educativas, Web TVs, TVs Universitárias e vídeos educativos, efetivo conhecimento da arte, da técnica, da estética e das políticas culturais, adicionado da capacidade inventiva e responsabilidade pública.
Foi com essa prospectiva que a Pontifícia Universidade Católica do Paraná aprovou, por decisão unânime, durante reunião do Conselho Universitário, em 22 de setembro de 1987, a reativação do curso de Comunicação Social, com a oferta de 70 vagas, habilitação em Jornalismo, para o concurso vestibular de 1988. Naquela sessão, refletiu-se muito sobre pesquisa publicada em agosto de 1987, a qual alertava que 70% das pessoas adultas brasileiras reclamam da qualidade das notícias e da forma como são publicadas no País. Isto comprovava, no mínimo, dois fatos básicos: há um campo bastante promissor para a educomunicação e o povo brasileiro está descontente com a qualidade da informação recebida.
Transcorridos 18 anos, outra pesquisa, agora desenvolvida pelo Ibope Mídia, intitulada Target Group Index, publicada em agosto de 2005, revelava que o cenário pouco evoluiu. Apenas 32% dos brasileiros disseram estar satisfeitos com os programas de televisão. Para a maioria da população, a TV exagera nas apologias da violência e do sexo e é pouco educativa. Observa-se, portanto, que os investimentos em tecnologia nem sempre são os mais importantes. Antes, o investimento mais significativo diz respeito à própria formação e atuação humana e ética dos proprietários e profissionais da área. A grande missão é preparar, séria e urgentemente, agentes que terão microfones e câmaras nas mãos, além de transmissores e satélites ao seu dispor. Estamos convencidos de que precisamos cada vez mais educar a criança e o jovem para o bom uso desses meios em vista dos fins que buscamos.
Toda sociedade pode avaliar o prejuízo humano causado pelo mau uso dos meios de comunicação social. A Escola de Frankfurt, ao formular a Teoria Crítica, mostrou a necessidade de se considerar o conceito de indústria cultural, seus méritos e seus vícios. Por certo, todos os educadores estão convencidos de que a televisão, por exemplo, tem enorme potencial educativo, político e socializador. Sabemos, por outro lado, das conseqüências da má utilização dessa tecnologia, seja na promoção da violência, seja na divulgação de contravalores, seja na divulgação da cultura da morte. As instituições e as pessoas esclarecidas e bem intencionadas devem fazer a opção pela cultura da vida e pelo cultivo das artes e das ciências.
Clemente Ivo Juliatto, reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras, é pós-doutor em Administração Universitária pela Harvard University, de Cambridge, EUA.