O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem alardeado que a educação, finalmente, terá prioridade no recebimento de recursos provenientes da exploração do imenso lençol petrolífero depositado na camada do pré-sal, a uma distância estimada em sete mil metros abaixo da superfície do Atlântico, numa extensão que vai de Santa Catarina ao Espírito Santo. Caso forem confirmadas as previsões iniciais, o Brasil passará a integrar o seletíssimo clube dos maiores produtores mundiais de petróleo e gás natural, podendo sua gente sonhar com um avanço sem precedentes na qualidade de vida mediante a eqüitativa distribuição da renda, que é também um apanágio dos países desenvolvidos.

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Entretanto, é necessário aguardar com paciência até que o sonho se transforme em realidade, pois os prognósticos mais sensatos advertem que o fundo do mar começará a bombear o ouro negro somente a partir de 2014, mesmo assim com o abrangente cronograma de investimentos em equipamentos de última geração sendo cumprido com a precisão de um cronômetro suíço. O que é sempre um problema complicado em se tratando de Brasil.

Em sendo assim, a população terá de conviver ainda por mais um lustro com uma situação próxima do descalabro, exatamente no setor educacional que a tardia iluminação do presidente da República, decorridos exatos seis anos e nove meses da primeira posse, só agora identificou como merecedor de máxima atenção, posto que motivado pela montanha de recursos financeiros que o governo obterá com os lucros do pré-sal.

Quem mais uma vez assumiu o papel de vilão foi o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que em épocas recentes chegou a ser proibido por instâncias superiores de divulgar resultados conflitantes com o mito de grandeza cultivado pelos governantes. Felizmente isso não ocorre no governo Lula, de modo que a opinião pública nacional tomou conhecimento do estigma social de que 84,5% das crianças que não aprenderam a ler estão matriculadas em alguma escola. Segundo os cálculos do IBGE, isto quer dizer que oito entre dez crianças de 8 a 14 anos freqüentando escolas ainda não sabem ler nem escrever. O número total desse contingente de futuro incerto chega a 1,1 milhão de crianças, das quais cerca de 750 mil vivem na região Nordeste.

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Técnicos do IBGE detectaram que houve melhoria sensível do acesso das crianças à escola, mas não necessariamente dos padrões de qualidade do ensino fundamental. E os maiores entraves estão nas escolas deficientes e nos professores despreparados. Mas um dado revelador acabou dando tintas definitivas ao retrato cruel da educação: a pobreza constitui o elemento que mais prejudica as crianças em idade escolar, porquanto 21,5% dos alunos entrevistados à época da pesquisa viviam em domicílios com renda familiar per capita de ¼ do salário mínimo.

A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE expõe ainda uma séria anomalia no conjunto das políticas direcionadas ao atendimento das carências da população de baixa renda, ao revelar que apenas 17,1% das crianças entre zero e três anos freqüentavam creches em 2007, período em que o levantamento foi realizado. Aqui também se percebe a enorme distância entre o que se realizou e a meta do Programa Nacional de Educação do Ministério da Educação, que é garantir o atendimento de 50% das crianças dessa faixa etária até 2010. Contudo, no intervalo de dez anos (1997 a 2007), o número de crianças freqüentando creches subiu de 8,1% para 17,1%. O balanço é rudimentar: o resultado está abaixo do desejável por que não existe uma política pública para as crianças de zero a três anos e, obviamente, não há creches em número suficiente para atender a demanda.

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Tanto para a extração do petróleo do fundo do mar, quanto para a melhoria dos parâmetros que corporificam o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), há um longo caminho a percorrer. Até lá um ilimitado potencial de avanço social estará comprometido.