A humanidade e as universidades de todas as partes do mundo ingressaram, ao mesmo tempo, na era do conhecimento, da aprendizagem e da melhoria da qualidade de vida. Nessa prospecção, está claro que a aprendizagem não pode mais ser associada unicamente às instituições de ensino. Por isso, a questão chave da educação tomou uma dimensão mais ampla: a de ser suporte para facilitar, atualizar e renovar a aprendizagem da pessoa durante toda a sua vida.
A escola não vai desaparecer, mas precisa modificar a sua abordagem pedagógica, metodológica e didática. Embora nunca tenha sido o seu verdadeiro papel, no passado ela até pode ter sido mera repassadora de conhecimentos. No presente e no futuro, sua função deve ser outra: transformar-se numa verdadeira usina de elaboração, assimilação e democratização de conhecimentos úteis e aplicáveis. Sua tarefa é aproveitar a massa enorme de informações a que os alunos têm acesso, provenientes das múltiplas fontes disponíveis, também as de fora do ambiente escolar, para fazer o seu processamento dentro da sala de aula. Este é o seu principal papel pedagógico.
O professor Antônio Dias de Figueiredo, da Universidade de Coimbra, observa que a grande preocupação das escolas tem sido a de ?compartimentar o saber, em vez de oferecer contextos para compreendermos um mundo de diversidade, em que vivemos cada vez mais sequiosos de saber e mais afogados em informação?. Fica evidente a necessidade de promover a reconciliação entre conteúdos e contextos e de trabalhar a interdisciplinaridade. Ladislau Dowbor aponta nessa mesma direção: ?Uma linha de trabalho importante consiste na organização de espaços de elaboração de consensos: o sistema que nos rege generalizou a filosofia da competição em substituição à solidariedade, da rivalidade em detrimento da cooperação?.
Para Figueiredo, o currículo é a questão central da escola, a qual inclui, certamente, ?um esforço de encontrar como integrar as tecnologias de informação na educação, mas este é apenas um aspecto na gigantesca agenda de ação que atinge profundamente os cambiantes objetivos e fins da educação no seu relacionamento com a sociedade e com a tecnologia?. Certo é que a escola está passando por uma mudança sem precedentes. A educação, até recentemente centrada no conteúdo, passou a ser centrada no contexto, como observa Figueiredo. Gradualmente, a escola se ocupa menos com o que ensinar e mais com o contexto onde está o conhecimento e com as maneiras de incorporá-lo no dia-a-dia.
A abordagem didática também precisa ser modificada, para incorporar convenientemente os meios multimídia e a moderna tecnologia educacional que vem sendo colocada à disposição das instituições educacionais e, até, dos alunos em suas casas. A escola tem, sim, a tarefa de ensinar o aluno a utilizar adequadamente esses instrumentos e ferramentas e orientá-los para tirarem proveito do seu enorme potencial. Para isso, necessita utilizar esses instrumentos nas suas salas de aula e laboratórios e marcar a sua presença no ciberespaço. As escolas que despertaram para essa exigência já começam a colher os primeiros frutos.
Em face disso, o papel do professor muda dentro do contexto da escola. Ao comentar as megatendências identificadas por Naisbitt para a sociedade, Antônio Dias de Figueiredo afirma: ?A frieza das altas tecnologias impõe uma contrapartida indispensável de calor humano: quanto mais tecnológica é a sociedade, mais necessita de compensações ao nível dos valores humanos e da afetividade. É aqui que se situa a função chave de uma escola reinventada: dar estrutura a um mundo de diversidade, fornecer os contextos e saberes de base para uma autonomia de sucesso, e fornecer as respostas humanas compensatórias de que a escola dos nossos dias está a se distanciar tão perigosamente?.
Clemente Ivo Juliatto, reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras, é pós-doutor em Administração Universitária pela Harvard University, em Cambridge, Massachusetts, EUA.