Rubens Hering
Na década de 70 nascia na Tasmânia, Austrália, o primeiro Partido Verde do planeta. Algo longínquo na distância e no tempo. Embrionário, não tinha ainda a visão de salvar o planeta, mas tão-somente a de um rio local ameaçado pela poluição. Décadas se passaram e hoje aquela primeira célula transformou-se num movimento mundial. O Global Greens Network é presente em mais de 70 países, unindo todos os Partidos Verdes sob um lema central: salvar o planeta. Em 2008 realizarão seu 2.º Congresso Mundial, em São Paulo. Nesses tempos, os ?Verdes?, mundo afora, têm vivido dilemas ideológicos. Seria uma corrente política de esquerda aparentada do marxismo? A pergunta é pertinente porque tradicionalmente, quando compõem frentes partidárias, os vemos mais próximos desses partidos. Ou seriam os ?Verdes? uma corrente política independente, e assim uma alternativa de contraponto à velha dicotomia de esquerda e direita? O Muro de Berlim foi construído em 1955 por ordem de Stálin, sob a égide da foice e do martelo para proteger o socialismo contra a sanha capitalista e seus malefícios. Em 1991, foi derrubado não pelas armas do capitalismo neoliberal que pretendia conter, mas pelas mãos de trabalhadores empunhando os mesmos martelos e foices, só que agora, não mais como símbolos de uma ideologia, mas transformados em meras ferramentas de derrubada do entulho. Assim, acabou melancolicamente o muro da vergonha e tudo que representava. Alguém poderia afirmar que o capitalismo neoliberal venceu. Não creio nem o vejo assim. O marxismo não foi derrotado ou explodido na guerra fria pelas potências capitalistas. Ele implodiu. Autodestruiu-se. Sucumbiu ante suas próprias incoerências e vícios cuja maior vítima foi a classe trabalhadora, justamente em nome de quem tudo fora feito. As suas maiores mazelas foram a ineficácia e a corrupção do gigantismo estatal centralizado. Incrível, mas muito disso permanece vivo no capitalismo atual, inclusive o brasileiro. Não se pode afirmar que um sistema é bom e o outro ruim. Enquanto ideologias, diria até que ambas são muito boas nas páginas dos livros de seus ideólogos. O que as torna igualmente péssimas são os maus políticos que em nome delas se adonam do poder. As ideologias políticas no século XXI não mais serão dicotomizadas pela discussão de direita versus a esquerda, como se fossem caminhos únicos da limitada questão social e econômica. No novo milênio, o fator ambiental passa a integrar a equação política como a sua variável preponderante. Não mais haverá fator social ou econômico de interesse restrito que justifique a degradação do meio ambiente que é de todos. O debate da política moderna será entre o bem e o mal, o certo e o errado, o preservar e o destruir, a probidade e a corrupção, o justo e a injustiça, etc. Ou vamos pelos caminhos da sustentabilidade ou daremos todos, literalmente, com os burros na água poluída e escasseada por essa globalização devastadora. Fracassaram as velhas ideologias de esquerda e direita. Só produziram miséria, injustiças e degradação. Assim, finalmente se reúnem os antagônicos Karl Marx e Adam Smith, num mesmo lugar: o ostracismo da história. O Capital e A Riqueza das Nações deixaram a estante e foram para o porão junto aos livros obsoletos ou ruins. Bem-vindos, todos, à era do desenvolvimento sustentável pela vida, o que conduzirá ao fim das velhas ideologias. Quem viver, verá.
Rubens Hering é economista e ouvidor do Partido Verde do Paraná hering@onda.com.br.