Enfim, o prefeito

Há algumas boas lições a tirar do “terceiro turno” da eleição municipal de Londrina, realizado nesse domingo, do qual saiu vencedor o deputado federal Barbosa Neto (PDT), suplantando o também deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). A eleição somente teve lugar depois de cinco meses da impugnação da candidatura do deputado estadual e ex-prefeito da cidade, Antonio Belinati, aliás, vencedor do pleito no segundo turno, mas impedido de assumir o cargo em função de contas a ajustar com a Justiça Eleitoral.

Tendo em vista a impugnação da candidatura de Belinati pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi marcada a nova eleição de domingo, à qual concorreram Hauly e Barbosa Neto (PDT), na condição de terceiro colocado no primeiro turno da disputa. Este contou como o apoio do senador Osmar Dias (PDT) e dos ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Paulo Bernardo (Planejamento). O candidato perdedor teve em sua campanha a presença contínua de correligionários de rica plumagem como o senador Alvaro Dias e o prefeito curitibano Beto Richa, o mais popular do País. Se a eleição de Londrina servir de ponto de observação para 2010, não seria ilógico afirmar que, nesse momento e no caso paranaense, a aliança partidária de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um salto à frente.

Contudo, antes de analisar repercussões político-partidárias da vitória de Barbosa Neto, eleito com 135.507 votos, resultado que fez ampliar um pouco mais a diferença obtida por Belinati sobre Hauly há cinco meses, a sociedade deve estar atenta para o primeiro questionamento que tem o direito de levantar, mesmo obrigada a reconhecer o acúmulo de trabalho no TSE: a inexplicável lentidão para a tomada de decisões definitivas em situações probantes.

Não é possível conceber que uma comunidade operosa do porte de Londrina, uma das cidades mais desenvolvidas da região Sul, se veja na contingência de arcar com um acúmulo de 150 dias a contar da data da realização das eleições municipais, durante as quais os eleitores deram cabal demonstração de civismo ao comparecer em massa às sessões de votação para cumprir o dever constitucional (resignando-se a votar pela terceira vez no domingo), para finalmente descobrir o nome do escolhido para governar a cidade.

A confirmação, porém, não é definitiva, porquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda deverá se pronunciar sobre o recurso ali protocolado pelos defensores do deputado Antonio Belinati. O pedetista deverá assumir o cargo até o próximo dia 5 de maio, mas se até aquela data (ou depois) o STF tomar a decisão de amparar a fundamentação jurídica em defesa de Belinati, o cargo lhe será devolvido. Assim, há algumas perguntas que não calam: quanto vale hoje a decisão soberana dos eleitores? Com base em que razões a primeira eleição de Belinati foi invalidada? Por que a Justiça Eleitoral permitiu a um candidato com graves pendências se inscrever para disputar a eleição e, eleito por ampla maioria, ser impedido de tomar posse?

No plano político, as interpretações serão também variegadas. A vitória do pedetista na cidade mais representativa do interior além de garantir, em 2010, um palanque respeitável para a ministra Dilma Rousseff, em contraposição à confirmada hegemonia tucana na capital, começa a emitir sinais convincentes que iluminam a probabilidade da conjugação de forças entre PT e PDT e demais partidos da base, galvanizando uma hipotética candidatura do senador Osmar Dias ao governo estadual. O ministro Paulo Bernardo, mesmo admitindo a própria pré-candidatura, revelou aos jornais que a tese não lhe desagrada.

Alvaro e Beto, rigorosamente empatados na preferência dos eleitores, estão sendo observados pelos controladores da torre tucana, sobretudo nos itens fôlego para bater asas, capacidade de uso dos recursos de planagem e vigor para voar acima dos futuros desafios. Quem passar no teste receberá o brevê para pilotar a nave com a qual os tucanos almejam desembarcar no Palácio Iguaçu.

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