Enfim, eles conseguiram

No momento, a decisão ainda é provisória. Talvez ainda demore para que seja definitiva. Mas mesmo os mais renhidos oposicionistas sabem que o ex-secretário da Educação Maurício Requião terá confirmada sua eleição para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná Jorge de Oliveira Vargas revogou a liminar que ele próprio concedera, suspendendo o pleito, e deixou o caminho aberto para o irmão caçula do governador Roberto Requião assumir seu posto.

Estamos, portanto, nos momentos finais de uma triste história paranaense. História que ficará marcada como o desejo intrínseco de um mandatário, no caso o governador do Estado, de mandar em todos os poderes, como se tivesse sido investido de tal capacidade. Tudo foi feito, de todas as formas, para que o “primeiro-irmão” ocupasse uma vaga no TCE – a aberta por Henrique Naigeboren, que se afastou por ter atingido a idade-limite de 70 anos.

Houve momentos lamentáveis. Primeiro, a quase imposição vinda do Palácio das Araucárias do nome do então secretário. Quase não se permitiu que o processo eleitoral conduzido pela Assembléia Legislativa tivesse a seqüência correta. Mais tarde, muitos deputados abdicaram dos próprios preceitos, ou para votar em Maurício Requião, ou para promover uma brancaleônica série de abstenções.

Mais tarde, a Justiça tentou pôr ordem na casa, exigindo que a Constituição fosse cumprida e que fosse realizado o rito secreto para a escolha do conselheiro do TCE. O Judiciário paranaense saiu derrotado, não pela decisão tomada, mas pela clara desconexão entre alguns magistrados.

Dito isto, fica o futuro. Maurício Requião será conselheiro do TCE, ele vestirá sua beca e começará a julgar – quer dizer, quando tiver a autonomia legal para analisar contas de Estado e municípios. Que ele saiba que, a partir de agora, não está em um dos mais importantes órgãos do nosso Judiciário para representar o irmão governador e seus áulicos, seus aliados em bate-bocas pelas ruas ou mesmo a filosofia antiquada do mandatário do Executivo paranaense. Ele é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. E precisa ter grandeza para honrar esta instituição.

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