Muitas das reclamações sobre a falta de atitude dos gestores públicos estão centradas na ausência de interesse comum. Quer dizer: quando políticos de partidos diferentes não se acertam por razões puramente “ideológicas”, usando daquele velho axioma autofágico de “quanto pior, melhor” – se o adversário não tiver boa administração, ótimo; se ele for bem, péssimo.

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Esperamos justamente o contrário. Esperamos que todos tenham a grandeza de caráter necessária para manter um relacionamento respeitoso e favorável à população.

E estamos perto de acompanhar um destes momentos louváveis. Quem contou, na edição de ontem de O Estado, foi o repórter Roger Pereira: “O governador Roberto Requião anunciou disposição de zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o óleo diesel para conter o aumento da tarifa do transporte coletivo nas cidades paranaenses. (…) O desafio do governador foi prontamente atendido pela Prefeitura Municipal de Curitiba, que, em nota, disse ser muito bem vinda a intervenção do governador, que atende a uma reivindicação liderada pelo prefeito Beto Richa e encampada pelo Frente Nacional dos Prefeitos desde 2005”.

Claro que, a rigor, há uma disputa pela primazia da intenção e da ação. Mas, caso isto realmente aconteça, e mesmo que a tarifa de ônibus em Curitiba seja reduzida em apenas cinco centavos (de R$ 2,20 para R$ 2,15, queda de 2,27%), seria uma boa notícia, uma ação efetiva e conjunta dos governos estadual e municipal em nome da população que usa o transporte coletivo.

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Os mais céticos (quase sempre os que têm mais razão) podem alegar que é um período pré-eleitoral, e que o governador Roberto Requião e o prefeito Beto Richa estão tomando uma atitude populista e eleitoreira. Pois bem. Mesmo que seja isto, que bom que o “populismo” reflita na redução do preço da passagem de ônibus. E que seja apenas a primeira ação de um novo período, em que os governantes esqueçam os interesses pessoais e pensem no bem da população que votou para que eles chegassem ao poder.