Encontro protocolar

Pelo menos, os Estados Unidos estão mostrando que uma transição se faz em harmonia e pensando no bem comum, que é a população. Mas, tirando isso, os governos atual, de George W. Bush, e o futuro, de Barack Obama, mais divergem que convergem, e esta dicotomia será a tônica do período que antecede a posse do democrata na Casa Branca. Ideologicamente distantes, os presidentes não concordam em muita coisa, mas terão que se entender o mínimo possível para que a coisa ande -principalmente na economia.

O encontro da segunda-feira, em Washington, não passou de protocolar. Em alto nível, como se espera de dois líderes mundiais, Bush e Obama conversaram sobre a transição, mas não devem ter se aprofundado sobre os temas mais complicados daquele país, como a retirada das tropas do Iraque. A única situação que foi discutida a fundo foi a crise financeira, que precisa ser debelada.

Ambos sabem que as medidas a serem tomadas até 20 de janeiro de 2009, dia da posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, terá que passar pelo crivo duplo. Bush não poderá fazer nada de livre e espontânea vontade – em parte porque talvez não consiga, em parte porque precisará do aval dos republicanos. E caberá à equipe de transição compreender a complexidade da situação e trabalhar com um nível de flexibilidade maior que o normal.

Isto ficou nítido após o vazamento, de dentro da equipe de transição de Obama, da possibilidade da anulação de duzentos atos de Bush logo após a posse. A informação foi negada com veemência ontem, mas dá o tom da “mudança” que vai acontecer na gestão pública dos Estados Unidos a partir do ano que vem. Com apoio popular e maioria no Congresso, Obama está forte o suficiente para remover a casca extrema-direita do governo.

Só que não interessa espalhar isto agora. Está implícito nos discursos do presidente eleito, os próprios republicanos sabem, mas este é o momento da transição. É preciso lidar com extrema delicadeza, para que a “herança” de Bush não seja ainda pior.

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