É preciso dizer, antes de qualquer coisa, que tivemos um evento de tremenda civilidade na quinta-feira, em Curitiba. A posse de Hermas Brandão na presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) reuniu políticos de todas as vertentes, e todos se comportaram como homens públicos, garantindo o alto nível da cerimônia. Que, por sinal, era o mínimo que deveria acontecer, pois os líderes estavam em uma corte de grande importância para o pleno funcionamento da máquina estatal, seja do governo do Estado, seja das prefeituras.

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Feita a introdução, causou espécie o humor do governador do Paraná durante a cerimônia do TCE. Primeiro: ele conversou com os jornalistas como se deve, sem rancor, sem ressentimentos e sem ira recalcada. Segundo: ele compôs civilizadamente com rivais políticos, como o senador Alvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. Terceiro: citou, pela primeira vez, o vice-governador Orlando Pessuti como possível candidato ao governo no ano que vem. E quarto: ele garantiu que vai eleger o seu sucessor.

Os dois primeiros tópicos são, talvez, os mais importantes. Um governador de estado precisa ter uma relação respeitosa com a imprensa. Os políticos precisam da mídia, a mídia precisa dos políticos. E um contato honesto e sem rancores é fundamental para o exercício pleno da liberdade de informação. Certamente, por ser político experiente, o mandatário do Palácio das Araucárias sabe que os jornalistas não estão nem contra nem a favor – estão, sim, buscando a notícia correta. No que diz respeito aos adversários políticos, por mais que haja diferenças irreconciliáveis, governador, prefeitos, senadores e deputados têm todos os mesmos “patrões” – os cidadãos.

Sobre a eleição de 2010, o governador falou grosso. Quem sabe ele realmente apoie Pessuti, o que seria natural no PMDB. Agora, que ele vai fazer o sucessor, é muita pretensão para quem venceu o último pleito por meros dez mil votos. E também pelo que apontam as pesquisas de intenção de voto.

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