Foi necessária uma medida mais dura. O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), sediado em Porto Alegre, determinou o bloqueio de R$ 50 mil das contas particulares do governador do Estado – tudo por usar a rádio e a TV Educativa para criticar políticos, imprensa, Judiciário e outras instituições. Ou seja, para fazer uso político pessoal do cargo e da mídia pública.

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Em nome da seriedade, o desembargador Edgard Lippmann Júnior atendeu um pedido do Ministério Público para que seja paga a primeira multa que o mandatário do Palácio das Araucárias sofreu, em janeiro.

Pode parecer irônico, mas o governador do Paraná se arvora a dizer que é jornalista. Realmente tem formação em Comunicação Social, mas não conhece a realidade do trabalho da imprensa. É muito fácil se apresentar como vítima da mídia quando, na realidade, esperava dela condescendência.

Se o governador é jornalista, sabe que a imprensa não existe para adular ninguém. “Imprensa não é armazém de secos e molhados”, disse certa vez Millôr Fernandes. O trabalho da mídia é informar – não interessando se o fato é positivo ou negativo para quem quer que seja. Não importa se o protagonista da notícia é “poderoso” ou “remediado”. Todos são tratados da mesma maneira.

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O que o mandatário e seus áulicos esperam? Elogios? Elogios não são matérias-primas da imprensa. Nem críticas. Apenas a verdade é levada em consideração. Caso o governador tenha esquecido, o jornalismo procura a informação correta, de forma imparcial. E se também não lembra, imparcialidade é o “caráter ou qualidade do que é imparcial; eqüidade, isenção”.

A isenção não permite juízo de valor. Sem isenção, não há jornalismo. E é isto que os veículos de comunicação tão criticados pelo governador fazem. Quando eles informam alguma atitude responsável do governo estadual, não se escutam elogios ou agradecimentos – como, por exemplo, o engajamento da mídia na campanha de vacinação contra a rubéola. Mas quando se relata algum problema, lá vêm os áulicos com quatro pedras nas mãos. Triste pensar que será sempre assim.

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