Na quinta-feira, foi oficializado o afastamento de Maurício Requião, irmão do governador do Paraná, Roberto Requião, do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A decisão foi comunicada ao presidente do órgão, conselheiro Hermas Brandão, que apenas repassou a informação aos seus pares e à sociedade. Enquanto os trâmites burocráticos se sucediam, Maurício desaparecia.

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Não conversou com os auxiliares, não comentou a decisão com jornalistas. Recolheu-se, sem – claro – aparecer no TCE, onde um auditor ocupou o seu lugar para ler os processos, sem no entanto ter poder de voto. Buscou, certamente, auxílio no irmão governador, verdadeiro “guarda-chuva” das dificuldades da família, que incluem a acusação do Ministério Público Federal (MPF) ao outro irmão, Eduardo Requião, dos crimes de prevaricação e improbidade administrativa durante seu período como superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).

A família do governador está pasma. A reação está na matéria de ontem de O Estado, da repórter Elizabete Castro: “Aliados do governador e do conselheiro se surpreenderam com a eficácia imediata da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Isto porque o ministro Marco Aurélio Mello teria se manifestado, durante o julgamento, entendendo que deveriam ser observados os prazos recursais para a aplicação da decisão”.

Eles acharam estranha a rápida decisão e imediata aplicação da mesma pelo Supremo. A reação é típica de quem é vencido no tribunal. Seria interessante saber se a decisão fosse inversa, se haveria o tal “estranhamento”, ou a tal “surpresa”.

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A reação do STF foi clara – não é possível aceitar o nepotismo dentro do poder público e, ao mesmo tempo, o Poder Legislativo não pode ser constrangido pelo Executivo. Pois foi essa a sensação que todos tivemos quando da eleição de Maurício Requião, e que o Supremo também detectou. A junção de dois desvios monstruosos gerou a eleição do irmão do governador para o TCE. Mas como não vivemos em uma república de bananas, a Justiça tomou a decisão que lhe cabia tomar.