Clemente Ivo Juliatto

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Os critérios de eficiência, eficácia, produtividade, relevância e efetividade social são requisitos básicos da administração de qualquer organização humana, sobretudo das instituições de ensino, sejam elas públicas, particulares, comunitárias ou confessionais. A organização só tem qualidade quando consegue atingir seus objetivos relevantes. A tarefa dos seus administradores é precisamente a de conduzi-la nessa empreitada. Fica então evidente que a busca da qualidade é uma exigência intrínseca da boa administração.

Uma escola de qualidade é aquela que demonstra efetividade social, é eficiente no uso dos recursos de que dispõe e é eficaz na realização do que se propõe. Em outras palavras, é uma escola que sabe o que quer, programa o melhor para os seus estudantes, organiza-se em vista dos seus fins, não desperdiça recursos, capitaliza suas energias e alcança o que pretende, cumprindo o que promete. Em suma, ela transforma suas intenções e projetos em realidade. Esse é o ideal de toda a boa escola. Fazer um trabalho sério de educação é obrigação de qualquer instituição, mesmo de estabelecimentos mais simples de periferia ou de favela. É preciso também acrescentar que a excelência educacional está ao alcance de qualquer escola, inclusive das mais modestas. Ela está ao alcance de quem a busca com empenho e persistência.

O crescente grau de consciência do cidadão, enquanto contribuinte ou consumidor, está a exigir, também, mais qualidade nos serviços ofertados pelas instituições de ensino. Nos últimos anos, têm ocorrido movimentos generalizados nas sociedades mais evoluídas pela defesa e expansão dos direitos dos cidadãos. Entre estes, pode ser destacado o da exigência de qualidade nos serviços públicos ou privados de que são beneficiários, aí incluídos os serviços educacionais.

A mobilização pela melhoria da qualidade educacional nas escolas não tem apenas essa causa. Ela reside principalmente na constatação generalizada da má qualidade do desempenho das escolas do País. E, não menos importante, na dúvida crescente de que as nossas escolas e universidades não estejam fazendo um trabalho à altura das novas expectativas da sociedade.

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O anseio universal pela qualidade não é modismo passageiro, mas tendência que veio para ficar. O próprio aprimoramento da sociedade está condicionado e intimamente relacionado à melhoria da educação da população. Para as instituições católicas, buscar a qualidade não é apenas uma questão de respeito aos usuários do sistema. É, sobretudo, uma questão de compromisso e de responsabilidade das escolas, dos seus mantenedores, administradores e professores.

Isso quer dizer que o compromisso com a busca da qualidade tem que ser empreitada coletiva e institucional. Implicará, entre outras coisas, no desenvolvimento de relações cooperativas dentro da comunidade escolar, no trabalho em equipe, no cultivo da coesão e da colegialidade, no compromisso com a missão institucional, na implantação das práticas avaliativas e no empenho decidido em educar, ensinar e aprender. Muitas escolas e universidades estão implantando, com sucesso, programas de qualidade, na maioria dos países do mundo. Os resultados benéficos dessas iniciativas são animadores para as escolas que se empenham com seriedade nesse processo.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.

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