Clemente Ivo Juliatto

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Graças ao trabalho, desprendimento e inteligência de pessoas, muitas das quais anônimas, os países e as organizações vão crescendo e se aprimorando ao longo do tempo. Cada um à sua capacidade, empresta a sua colaboração para melhorar a sociedade. Nas ruas das cidades, nos prédios públicos, nos campi universitários, nos institutos de pesquisa, nos hospitais, nos centros de comunicação há nomes, marcas e pegadas de gestores, heróis e ídolos que desempenharam com responsabilidade, seriedade e dinamismo a função que lhes foi conferida.

Independente da atividade que desenvolve, para ser bem sucedida, qualquer instituição necessita organização estratégica a curto, médio e longo prazo. Todas as forças vivas precisam se integrar e atuar juntas no processo de mudança. Sem o comprometimento com a missão e o futuro, os esforços se dispersam. Iniciativas individuais ou isoladas também podem comprometer a realização de objetivos e o sucesso do empreendimento. Entretanto, o que mais rapidamente se destaca nas companhias bem sucedidas é a união e a disposição de seus membros de aprimorar e maximizar o potencial de recursos físicos, materiais, humanos e de pesquisa de que dispõem.

Vejam, por exemplo, que há algumas décadas, onde hoje estudam cerca de 20 mil alunos de graduação e pós-graduação em Curitiba, funcionava o Hipódromo Guabirotuba, Jockey Club Paranaense e pista de corrida de cavalos, depois denominado Prado Velho. O local cedeu seu espaço e, com muito suor, planejamento e sabedoria, transformou-se num campo de desenvolvimento de inteligências e aprofundamento das grandes linhas do humanismo. Quase como um milagre, do mangue e do solo aguado brotaram fontes de sabedoria.

Posso garantir, com meu testemunho: as pessoas que assumiram de fato a universidade pautaram a profissão como parte de sua religião. Quero rememorar a grandiosidade dos três reitores que me antecederam, verdadeiros ícones não só da Universidade Católica e de Curitiba, mas do Brasil. De 1959 a 1973, dom Jerônimo Mazzarotto foi responsável pela implantação e pelo reconhecimento de vários cursos, destacando-se também pela construção inicial do campus Curitiba. Professor Osvaldo Arns exerceu o magistério por 42 anos e, como reitor, de 1974 a 1985, deixou uma herança humana, intelectual e material incalculável. Foi um dos principais responsáveis pela elevação da UCP a PUCPR. Saber dialogar é o segredo e a força do amor, dizia Arns. Reitor de 1986 a 1997, professor Euro Brandão alicerçou a florescente expansão dos cursos, sobretudo da área de Ciências Exatas e de Tecnologia. Também foi responsável pela criação do campus São José dos Pinhais.

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Dom Jerônimo Mazzarotto, doutor Osvaldo Arns, doutor Euro Brandão e tantas outras pessoas não mais convivem conosco, mas nos deixaram a chama que simboliza a virtude, o saber e a responsabilidade pelo crescimento e formação científica e ética de profissionais e lideranças.

Como dirigentes e educadores, os pioneiros de ontem perseveraram no trabalho e apontaram os caminhos para continuar as tarefas boas para elevar a sociedade ao estágio que tanto reclama e merece. Educadores, comunicadores, heróis, lideranças e pessoas de bem passam, mas sua memória, propósitos elevados e exemplos permanecem. Por onde andarmos, há virtudes e ensinamentos de tantos e tantos educadores apostolares. O bem praticado, ontem e hoje, é e será sempre imperecível. É assim, unidos pelo espírito, missão e propósitos com os predecessores e continuadores, que os calouros da nossa universidade começam as aulas no próximo dia 5 de fevereiro e os veteranos dia 12/2.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.

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