Eduardo Requião decidiu deixar o governo estadual – ele era até a última quinta-feira o secretário dos Transportes e superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Saiu antes de receber a notificação da decisão do juiz da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Jederson Suzin, que suspendeu o decreto de nomeação do irmão do governador para o cargo de secretário. Antes que fosse defenestrado, Eduardo foi embora. E, convenhamos, fez o mais correto. Assim como o desembargador Edgard Lippmann Júnior, que preferiu se declarar suspeito para avaliar o caso do uso indevido da TV Educativa, o ex-superintendente e ex-futuro secretário (a rigor, ele sequer assumiu o cargo) deixou a Justiça decidir. Claro que ele vai lutar pelo cargo, tanto que o procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés, já vai entrar com recurso na 1.ª Vara de Fazenda Pública. Mas toma a atitude mais prudente, evitando criar arestas que mais o prejudicariam que o ajudariam.

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E certamente foi Eduardo Requião quem tomou a decisão. Seu irmão, o mandatário do Palácio das Araucárias, nunca tomaria uma atitude que, na teoria, fosse prejudicá-lo. Ao contrário: ele decidiria lutar com todas as armas, como estava fazendo, sem se preocupar com o bem público ou com o respeito às instituições. Usaria os canais possíveis – as emissoras públicas e o site do governo estadual – para atacar seus pretensos rivais, que são aqueles que apenas tentam seguir a lei. Mas Eduardo fez diferente. E poderá se defender plenamente no decorrer do processo.

O mérito do caso é nítido. A súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) informa claramente que o nepotismo é proibido em todos os escalões do poder público. Portanto, Eduardo Requião não pode ser superintendente da Appa. A nomeação dele para a Secretaria dos Transportes mostrou ser um claro subterfúgio, já que antes ele havia sido nomeado para uma “secretaria especial de Assuntos Portuários”. A sociedade está cansada de subterfúgios. Quer a simples aplicação da lei, e não fanfarronices de políticos.

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