Desde 1996, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inaugurou a série histórica sobre a realização de investimentos produtivos, jamais a economia nacional havia alcançado um patamar tão elevado no referido quesito. No segundo trimestre de 2008, os investimentos produtivos que ajudam a dinamizar a oferta futura de bens e serviços e, o que é ainda melhor, atuam como um instrumento poderoso para frear o ritmo inflacionário, se expandiram na base de 16,2%.
O crescimento tem sido ascendente por 18 trimestres consecutivos, sendo que nos últimos cinco períodos a taxa se mantém acima de 14%, com destaque para o setor de máquinas e equipamentos que voltou a puxar as importações (25,8% a mais no trimestre), ao passo que as exportações subiram apenas 5,1%.
A somatória dos investimentos produtivos, da safra recorde e da acentuada elevação dos gastos públicos refletiu de modo favorável no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) relativo ao segundo trimestre desse ano, cuja taxa de crescimento foi de 6,1% em comparação com igual período em 2007. Quando a comparação foi feita com os primeiros três meses do ano, o índice de crescimento foi de 1,6%, confirmando a agradável surpresa trazida pela retomada da expansão do ritmo da economia brasileira. O panorama altamente propício aos exercícios de otimismo quanto ao futuro imediato, apesar da manutenção dos juros básicos em alta, permitiu aos economistas e analistas de mercado formular a previsão de que o PIB nacional terá a expansão consolidada de 5% em 2008.
A estimativa somente deixaria de se realizar caso a economia sofresse um rombo da ordem de 30% no segundo semestre, não por acaso, o período que todos consideram o mais promissor do ano. É com o foco centrado nessa realidade favorável que os analistas fazem previsões confortáveis, avivando na população a perspectiva da melhoria real das condições de vida. A comprovação está na elevação do nível de consumo das famílias, que cresce pelo 19.º trimestre consecutivo graças aos 8,1% de aumento da massa salarial e 32,9% nas operações de crédito. Mesmo que alguns observadores afirmem que o desequilíbrio social entre classes de renda no País ainda vai persistir por muito tempo, o cenário atual possibilita a percepção de que as mudanças para melhor já se fazem sentir no cotidiano de milhões de famílias.
Os críticos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, conseguiram um reforço extra para o argumento do descontrole dos gastos públicos, cujo peso é de 15% na composição do PIB, enquanto a agropecuária representa apenas 5,5%. Os cálculos efetuados pelos técnicos do IBGE acabaram acusando os impactos tradicionalmente originados pelo ano eleitoral, assim como a contratação antecipada de empregados públicos para contornar as restrições legais impeditivas de novas admissões nos três meses anteriores à realização do pleito. O resultado palpável é que o peso da administração pública cresceu 5,3% no segundo trimestre do ano, sobre o mesmo período do ano anterior e, na visão dos técnicos, foi esse dado pontual que contribuiu para a elevação do PIB.
Enquanto isso, muitos outros países da economia globalizada convivem com a realidade pouco alentadora da diminuição do ritmo do crescimento interno. Das 20 economias globais mais pujantes, apenas Brasil, México e Indonésia se beneficiaram de índices maiores de expansão no segundo trimestre em comparação com os números dos meses de janeiro, fevereiro e março. Houve também uma reversão da expectativa consagrada dos últimos anos, quando se atestou o crescimento superlativo da economia dos chamados países emergentes, em especial, China e Índia. Em 2007 a China cresceu 11,4%, seis pontos percentuais a mais que o Brasil, mas com o encolhimento do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), mesmo sendo menor, a expansão econômica brasileira ganhou maior visibilidade.