“Não fui eu que matei o Michael Jackson ou trouxe a gripe suína para o Brasil. Não matei ninguém, não roubei ninguém. Parece agora que eu virei o vilão do Brasil.” As frases citadas são de Romário, ex-jogador de futebol e hoje dirigente do América do Rio de Janeiro. Romário não é simplesmente um ex-jogador.
É um dos maiores atletas que o Brasil teve nas últimas décadas, vencedor dentro de campo, campeão mundial de futebol na Copa de 1994.
É inegável que, mesmo depois de encerrar a carreira, ele continua sendo um grande ídolo, uma personalidade do esporte, alguém que é seguido pela mídia. Nos últimas duas semanas, Romário foi o centro das atenções do noticiário, por conta de sua prisão por falta de pagamento de pensão alimentícia para os filhos Romarinho e Moniquinha, da relação com a modelo Mônica Santoro.
Depois de pagar parte das dívidas, ele foi libertado. Mas, domingo passado, sua vida foi devassada pelo programa Fantástico, da TV Globo, que mostrou suas dívidas e suas pendências judiciais. A reação dele foi a que está no início deste texto. Antes, porém, em um jogo do América, ele concedeu uma entrevista coletiva em que foram proibidas as perguntas sobre sua prisão.
Romário sofre de um mal que acomete as chamadas “personalidades” e os formadores de opinião. São pessoas que se consideram acima do bem e do mal, que não conseguem entender por que são criticadas. O ex-jogador, especificamente, acredita que não pode virar alvo de indagações por ter sido o herói da conquista do “tetra”, o título da Copa de 94.
A vida não é assim. As obrigações que nós temos eles também têm. Se precisamos pagar impostos, o governador também precisa, José Sarney também precisa e Romário também precisa. Se há pensão a pagar, Romário tem que pagar. Os troféus e os gols não pagam a comida e o sustento dos filhos. E quem é elogiado também pode ser criticado, por mais que isto não consiga ser entendido pelo político, pelo atleta e pelo artista. Somos todos iguais perante a lei.