O político ousado ficou quieto. O cidadão que não admite críticas e que atira a esmo naqueles que considera “rivais” não abriu a boca. Roberto Requião, o governador do Paraná, não esboçou nenhuma reação pública sobre as contundentes críticas do ex-prefeito de Paranaguá, Mário Roque, candidato do PMDB à prefeitura da cidade litorânea. E olha que o político parnanguara “tocou na ferida” criticando com aspereza (e uma certa falta de educação) o secretário dos Transportes e superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, irmão do governador.
Foi surpreendente a reação do mandatário do Palácio das Araucárias. Esperava-se uma torrente de impropérios sobre o aliado (aliado?) que jogou areia no ventilador. Afinal, se por coisas menores ou em situações reais o o chefe do Executivo estadual destilou seu ódio, imagine ao ser chamado de “morto” e “inerte” e ainda ouvir seu irmão ser xingado de “cachorro”, “porco”, “vagabundo”, “canalha” e “safado”. O mais sereno dos seres humanos se irritaria, e não seria surpreendente.
Mas Roberto Requião não abriu a boca para falar do assunto. E “jogando em casa”, na reunião da Escola de Governo, a tradicional cantilena das terças-feiras, ele teria o apoio total da claque governista, que não mediria esforços para desagravar seu comandante. Mesmo assim, apoiado por seus áulicos, ele preferiu ficar calado.
Alguns podem dizer que é melhor. Afinal, entrar em (mais) uma crise neste momento, com dezenas de aliados ainda tentando vencer as eleições municipais, seria muito perigoso. Qualquer reação despropositada poderia desmobilizar de vez o PMDB, e aumentar a pressão para que Mário Roque fosse à Assembléia Legislativa para detalhar suas denúncias contra Eduardo Requião.
Mas isto não parece ser a estratégia do governador, que prefere atacar primeiro e perguntar depois. E o silêncio surpreende, ainda mais se combinado com a declaração de Roque a O Estado: “O Requião não é de se inflamar facilmente e, além disso, ele sabe que eu tenho razão”. Será que Roque tem razão?