E o nível baixou de vez

Se um dos jornalistas da Editora O Estado do Paraná, tanto de O Estado quanto da Tribuna do Paraná, escrever, num rompante de empolgação, a expressão “descer o pau” em uma matéria, ouvirá, muito provavelmente, uma recomendação do editor para “maneirar” na escrita. Apesar de consagrada no uso coloquial, e com uma força até menor do que já teve, devido à banalização, a expressão ainda não é das mais interessantes para se colocar em um texto formal.

Imagine, então, em uma missiva enviada pela chefia da Casa Civil do governo do Paraná para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Isto aconteceu. De verdade.

Foi por conta do sorteio que encaminhou as contas da chefia do Executivo e da própria Casa Civil para a 1.ª Inspetoria de Controle Externo, que tem o conselheiro Nestor Baptista como responsável e Agileu Carlos Bittencourt como inspetor-chefe.

A carta, ou melhor, o pedido de Exceção de Suspeição feito pelo chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, baixou o nível: “Ninguém desconhece, que, há muito tempo, o arguido (Bittencourt) tem demonstrado indisposição contra o arguente (Iatauro) e afins falando a quem queira ouvir que, na condição de fiscal da Casa Civil, irá descer o pau”. Está na matéria do repórter Roger Pereira na edição de ontem de O Estado.

Um político da experiência de Iatauro, com reconhecida capacidade e vivência de longo tempo no serviço público (incluindo o próprio Tribunal de Contas) e na imprensa, sabe que não se pode reduzir a discussão a retóricas rasteiras. Caso realmente acredite que Bittencourt terá má vontade com a Casa Civil, que elabore um documento com o estilo que convém à secretaria. E não um ataque que mais parece o do mandatário do Palácio das Araucárias, este mais afeito às truculências verbais.

Ou o secretário-chefe deveria lembrar que, se Bittencourt ocupa este cargo em um Tribunal de Contas, é que tem conhecimento suficiente para assumir a responsabilidade. E se lá está, é que todos os que estão no TCE (ou os que lá passaram, como Iatauro) não viram nenhuma suspeição no funcionário.

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