E agora, Jos

A Operação Satiagraha continua dando o que falar, mesmo porque a sociedade ainda não foi esclarecida de todos os pormenores afetos à investigação que levou às grades, ao menos por algumas horas, o banqueiro Daniel Dantas e alguns coadjuvantes sobre os quais ninguém mais fala. Já o controlador do Grupo Opportunity, participante direto e beneficiário do processo de privatização da telefonia, ocasião em que representando empresas estrangeiras se aliou aos fundos de pensão de várias estatais, é também sobejamente conhecido por sua atuação no mercado internacional como ponta de lança de grande número de investidores, está sendo tratado como uma pessoa acima de quaisquer aleivosias.

Até a última terça-feira, em alguns setores restritos, acendiam-se velas e torcia-se desbragadamente pelo afastamento do juiz federal Fausto Martin De Sanctis, integrante da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, responsável pelo inquérito judicial da Operação Satiagraha e autor do mandado de prisão contra os principais acusados. A esperança quanto à saída de cena do juiz federal, há 17 anos na função, se estribava em dois motivos: a decisão do próprio Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região em acatar o pedido de suspeição levantado em relação ao juiz Fausto De Sanctis de continuar à testa do inquérito instaurado contra Daniel Dantas, e a possibilidade do juiz aceitar a vaga de desembargador por antiguidade no referido tribunal.

Por dois votos a um, o TRF achou por bem deixar sob a responsabilidade do juiz Fausto De Sanctis o julgamento de Dantas e, horas depois, o próprio juiz tornava pública a recusa à ascensão funcional na carreira, aliás, justificado anseio na vida de todos quantos tomaram a resolução de se dedicar à magistratura. Para muitos observadores, esta seria a melhor oportunidade oferecida ao juiz para afastar-se, sem o risco de ver posto em dúvida a competência profissional e o zelo pela função de julgar.

Entretanto, sua escolha pessoal foi abrir mão duma promoção que, decerto, estará à sua disposição dentro de mais alguns anos, preferindo continuar à frente de um processo rumoroso, talvez o mais emblemático da bem-sucedida cruzada de combate aos crimes do colarinho branco, que nos últimos anos têm desafiado não apenas o aparato policial e o Poder Judiciário, mas respingado vergonhosamente sobre os cidadãos de bem. Caberá ao juiz Fausto De Sanctis decidir sobre a acusação feita a Daniel Dantas de tentar subornar com R$ 1 milhão um delegado da Polícia Federal (PF), em troca da retirada de seu nome da lista dos investigados da Operação Satiagraha.

Há também novidades sobre a referida operação, inquinada desde a prisão dos figurões de sérias dúvidas e desvios de comportamento funcional, plantadas por um clube seleto de hábeis manipuladores de códigos de linguagem, ato contínuo, ecoadas pelos ministros Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou soltar os presos, além de Nelson Jobim e Tarso Genro, ocupantes das pastas da Defesa e Justiça, curiosamente os superiores hierárquicos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Federal. A catadupa de fatos e boatos acabou desaguando no afastamento do delegado Paulo Lacerda da chefia da Abin, que supostamente cedeu equipamentos de escuta telefônica e agentes para atuar numa investigação criminal, e do delegado Protógenes Queiroz do comando da operação. Para complicar, alguns jornais estão publicando trechos gravados na reunião de delegados da Polícia Federal no dia 14 de julho último, na qual foi decidido o afastamento de Protógenes da operação.

Na oportunidade, a PF deu a entender que o pedido de afastamento fora uma decisão particular do delegado, inscrito num curso de especialização em Brasília e, portanto, impedido de seguir coordenando as operações. Contudo, os trechos que chegaram ao conhecimento da imprensa mostram claramente o pedido de Protógenes para continuar na função por mais trinta dias, prazo que julgava necessário para a conclusão do inquérito. E agora José?

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