Como é que é? O “segundo-irmão” Eduardo Requião não quer assumir a Secretaria Estadual dos Transportes? Pois é isto mesmo. O ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) está rateando para tomar posse do cargo dado pelo irmão governador do Paraná. Os motivos? Ele quer a secretaria toda, e não da forma como foi “dividida” para acomodar o então titular da pasta, Rogério Tizzot. Em resumo – ele não quer apenas aparecer, ele quer mandar.

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E aí aparecem as vísceras do poder que emana do Palácio das Araucárias. Afinal, o governador Roberto Requião loteou as secretarias para seus áulicos e guardou alguns lugares para seus aparentados. Veio o Supremo Tribunal Federal e emitiu a Súmula Vinculante 13, que reforçava a proibição ao nepotismo. Eduardo Requião então foi afastado e, aproveitando uma brecha da lei, foi nomeado secretário dos Transportes. Já deveria ter tomado posse, mas adiou duas vezes – o último prazo expirou no dia 2 passado.

Acontece o seguinte: sabendo do trabalho de Rogério Tizzot na pasta, e também admitindo a péssima repercussão da nomeação do irmão, o governador decidiu criar a Secretaria Especial de Assuntos Rodoviários, a ser comandada por Tizzot. Na divisão, ficou com esta o Departamento de Estradas de Rodagem – nada mais natural que as “estradas de rodagem” fiquem na secretaria de “assuntos rodoviários”.

Mas Eduardo Requião não gostou da história, e agora cria um certo constrangimento no governo estadual. Seu irmão, após viajar pelo Japão e Oriente Médio, e passar na reunião do Mercosul em Foz do Iguaçu, volta sem ter um secretário dos Transportes. E justamente no cargo que deveria ser o mais docilmente ocupado, já que é um irmão o nomeado.

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Só que nada no governo do Paraná é assim, simples. Simples seria nomear um técnico de carreira, ou mesmo um político com tradição no setor – ou, claro, manter Rogério Tizzot no cargo. Mas não é assim que pensa nosso governador. Ele não aceita que as idéias que surjam de sua mente sejam refutadas por quem quer que seja. Enquanto isto, o Estado continua em segundo plano.