Ivan Schmidt

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Morreu no início da semana o ex-deputado Luiz Roberto Soares, aos 66 anos, neto do coronel Domingos Soares, um dos formadores de histórica família paranaense e chefe político das regiões de Palmas e União da Vitória, nos albores do século passado, quando teve marcante atuação no primeiro embate da Guerra do Contestado, travado no Irani entre um pelotão da Polícia Militar do Paraná, comandado pelo coronel João Gualberto, e a milícia reunida pelo misto de sertanista e curandeiro visionário Miguel Lucena de Boaventura, o José Maria.

Um dos muitos quadros da nova geração seduzidos pelo ideário político que floresceu no Paraná após a passagem de Ney Braga pela Prefeitura de Curitiba, Luiz Roberto logo se elegeu para a Assembléia Legislativa, onde passou a pontificar como um dos principais operadores do governo Jaime Canet Júnior, indicado por Ney para o posto, na segunda metade dos anos 70s. Quando o próprio Ney voltou ao governo, no período seguinte, Soares assumiu a Secretaria da Cultura, no que, a rigor, foi seu último cargo público.

Naquela época, seu nome passou a ser ventilado para a presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF), então dominada por sucessivos mandatos do cirurgião dentista José Milani, o homem do ?Pinheirón?, o encantado estádio planejado para as lonjuras inimagináveis do Tarumã.

Repórter da TV Iguaçu, acompanhado pelo cinegrafista Rosaldo Marx, de saudosa memória, saí certo dia para realizar uma entrevista com o candidato de oposição a Milani, exatamente um dos pró-homens do neísmo, o deputado Luiz Roberto Soares, cuja elegância no vestir e argumentar o caracterizava como personagem egresso daqueles filmes da ?nouvelle vague? francesa, ou do realismo italiano.

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Antes da gravação, na ocasião feita com uma câmera de cinema, era comum entabular longa conversação com o entrevistado, a fim de repassar as perguntas a ser formuladas, enfim, criando o clima propriamente dito da matéria. Lembro-me que o deputado falou inúmeras vezes não saber onde arranjaria tempo para mais uma incumbência, caso fosse eleito pelo conselho arbitral da federação, formado pelos presidentes dos clubes filiados.

A certa altura, em tom de galhofa, provocando gargalhadas na dupla de repórteres e nele mesmo, Luiz Roberto matou a charada afirmando ter descoberto a solução: ?Basta deixar de ir regularmente ao banheiro e terei o tempo necessário?. Felizmente para ele, o eleito foi o médico Esperidião Feres.

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Das duas ou três coisas que sei do homem público que se fechou numa espécie de silêncio obsequioso, tendo ainda muita coisa a fazer na carreira, o que tornou para muitos amigos e observadores inexplicável o abandono da trincheira, Luiz Roberto teria tentado uma aproximação com o então recém-eleito para o primeiro mandato de governador, Roberto Requião. Poucos dias antes da posse, em Brasília, o governador Alvaro Dias buscava o apoio dos cardeais do PMDB para disputar a presidência nacional do grêmio, diante da anunciada desistência do deputado Ulysses Guimarães. De repente, chegavam ao Hotel Nacional (onde Alvaro se hospedava), procedentes do Rio de Janeiro, Requião, o irmão Eduardo e o futuro secretário da Comunicação, jornalista Fábio Campana.

Durante o jantar, percebi a um canto do bar do hotel, tendo por interlocutor o Geraldo Serathiuk, que Campana nomearia diretor-geral ninguém menos que o ex-deputado Luiz Roberto Soares. Se a aproximação aconteceu de fato ou surtiu efeito prático ninguém sabe, ninguém viu. Anos depois, no segundo mandato do atual governador, Soares desempenhou temporariamente uma função administrativa na Imprensa Oficial.

Como tantos outros nomes importantes do grupo político formado por Ney Braga, dos quais o único a ter visibilidade reconhecida é o ministro Reinhold Stephanes, Luiz Roberto Soares parou cedo, assim como Norton Macedo, Véspero Mendes e Fabiano Braga Cortes, para ficar com os exemplos mais notórios.

Essa, aliás, é uma outra história a ser perquirida com diligência pelos estudiosos da política paranaense, que muito assunto terão a relatar sobre o desaparecimento precoce do neísmo, a mais poderosa bandeira política do Estado.

Ivan Schmidt é jornalista.