Até a metade de setembro, dois políticos surgiam como estrelas da eleição municipal no Brasil. O primeiro deles, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, via seu “poste” – quer dizer, seu candidato – Márcio Lacerda dar um salto monstruoso nas pesquisas e encaminhar a vitória no primeiro turno do pleito em Belo Horizonte. O segundo, Geraldo Alckmin, estava praticamente garantido no segundo turno da eleição em São Paulo (e liderando na disputa direta com a petista Marta Suplicy) após se impor como candidato contra a vontade do líder do PSDB no Estado, o governador José Serra, que queria aliança com o prefeito Gilberto Kassab (DEM).
Passou setembro, veio outubro e os dois tucanos foram abatidos pelas circunstâncias. Aécio, o governador que elegia qualquer um, viu seu aliado Márcio Lacerda (escolhido em comunhão com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel) ir para o segundo turno contra Leonardo Quintão. E com este aparecendo como favorito no debate direto. Alckmin, o político ousado, foi “atropelado” por Kassab, que foi o mais votado em São Paulo e rapidamente recebeu o apoio do PSDB local na disputa com Marta. O que aconteceu com eles?
Na verdade, bem na verdade, o que aconteceu com Aécio Neves? O governador de Minas chegou a este pleito municipal como um dos “grandes eleitores” do País, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Popular, com fácil trânsito em todos os partidos, fazia da eleição mais um passo para uma estudada campanha à presidência da República, emulando o avô Tancredo Neves. A costura política com o PT mineiro já deixava claro que Aécio poderia ser o candidato de consenso, talvez saindo pelo PMDB e derrubando as intenções de José Serra.
Para ficar ainda mais forte, o governador mineiro deu um discreto apoio às intenções de Geraldo Alckmin, que não perdeu a chance de enfrentar Serra de novo. Querendo abraçar o mundo, Aécio sofreu um revés que pode minar suas intenções de ser presidente agora. E vê Serra, firme ao lado de Kassab e agora também com Fernando Gabeira no Rio, ganhar pontos na renhida disputa tucana.