A matéria da repórter Elizabete Castro, na edição de ontem de O Estado, aponta nas entrelinhas a divisão interna do PMDB do Paraná: “A executiva estadual do PMDB decidiu repreender publicamente o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que declarou sua preferência pela pré-candidatura ao governo do senador Osmar Dias (PDT). Na nota oficial, a executiva estadual considerou a posição de Stephanes uma ‘ofensa’ ao partido que. Há vinte dias, a executiva estadual indicou candidatura do vice-governador Orlando Pessuti à sucessão estadual do próximo ano”.
Interessante este PMDB. Em primeira análise, é plena de razão a atitude da executiva estadual. Afinal, com um pré-candidato lançado pelo partido há pouco tempo, não se poderia aceitar qualquer manifestação que diferisse da intenção da cacifar o nome do vice-governador Orlando Pessuti – que, por sinal, teve seu nome elogiado pelo governador Roberto Requião na segunda-feira. Por mais que seja o ministro da Agricultura, Stephanes não poderia ser tão direto em seu discurso.
Mas vamos ver o outro lado. Soubemos de alguma nota oficial repreendendo os políticos do PMDB paranaense que manifestaram claramente sua intenção de apoiar o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), na eleição de 2010? Pelo contrário. Mesmo os mais renitentes aliados do governo, aqueles que claramente se posicionam contra o Palácio das Araucárias nas votações da Assembleia Legislativa, não foram cobrados com a veemência da repressão a ministro Reinhold Stephanes.
Talvez isto tenha acontecido para mostrar com mais clareza a posição dos cardeais do PMDB local – e, com isso, escancarar o interesse do governador. Apesar das declarações do presidente estadual do partido, Waldyr Pugliesi (“No momento em que há um esforço grande do partido para construir a candidatura, aparece alguém para desconstruir”), os peemedebistas querem saber é de uma aliança com os tucanos. E as frases do ministro da Agricultura só atrapalham os planos mirabolantes de Requião e seus comandados.