A monotonia da administração estadual foi quebrada por mais uma agitada intervenção do governador do Paraná em seu encontro semanal com o secretariado, a famosa “escolinha”. No seu tom habitual, o mandatário do Palácio das Araucárias reclamou da operadora TIM a plenos pulmões, dizendo que a empresa de telefonia cortou todas as linhas do governo por conta de uma dívida de R$ 34. Questionada, a TIM afirmou que a dívida é bem maior, de R$ 12 mil.
O governador estava bastante irritado. “A TIM precisa aprender a respeitar seus clientes”, atirou, no meio de seu discurso. Avisou que vai processar a operadora e quer tirar uma “bela indenização”, nas palavras do mandatário. Segundo ele, o problema estaria afetando desde os trabalhos corriqueiros do governo até operações policiais que dependem de contatos via telefone celular.
Duas verdades são retiradas de mais um ataque de nervos do governador. A primeira é que a falta de pagamento de contas telefônicas da chefia da Casa Civil não pode “paralisar” o Estado. Que se estude outra forma de administrar as contas. Atraso em pagamento é algo que pode acontecer, mas o governo do Paraná não pode permitir que uma conta bloqueie todos os aparelhos do poder público. Que se acertem contratos separados para as secretarias de Saúde e de Segurança Pública, por exemplo.
A segunda é que conta é para ser paga. Se o atraso pode acontecer, a obrigação é de pagar quando possível. Não vivemos mais no país do “devo, não nego, pago quando puder”. Agora existe uma lei que protege o consumidor, mas ao mesmo tempo exige deveres dele.
Por exemplo: se qualquer um de nós, pessoas físicas, não pagamos a conta da luz, a Copel, mais cedo ou mais tarde, vai cortar a luz de nossa casa. Correto? Então, a TIM pode fazer a mesma coisa, como a Sanepar, as empresas de TV por assinatura e os provedores de internet. Não pagou, corra o risco de ter o serviço cortado. Mais fácil que espernear pela TV seria acertar a conta – se são R$ 34, não deve ser difícil pagar, não é? – e liberar as linhas.