No final da semana, uma notícia inusitada: entrou em votação na Câmara Municipal de Curitiba o projeto que cria a Parada da Diversidade – uma espécie de institucionalização da Parada Gay que acontece todo ano. Até aí, nada de mais. Mas o vereador Julião da Caveira (PSC), que votou a favor do projeto, foi a público para garantir que votou por engano, por conta das conversas paralelas no plenário, e portanto seria contra a ideia de um evento a favor da diversidade sexual.
Há alguns detalhes interessantes na história, antes de chegar no ponto principal. O primeiro é o fato de o vereador Julião ser o presidente da torcida organizada “Os Fanáticos”, ligada ao Atlético – e, ao que consta, a maior torcida e mais barulhenta do Estado, talvez do País. Justo ele, que convive duas vezes por semana com uma gritaria para muitos ensurdecedora, não conseguiu ouvir a orientação de uma votação na Câmara dos Vereadores.
O segundo é o velado preconceito do vereador. Ele nunca diria isso, mas sua decisão de anunciar-se contrário à Parada da Diversidade tem muito a ver com a sua posição de líder de torcida organizada. Ser a favor de um evento pretensamente homossexual poderia servir, na visão canhestra de alguns, como chance para a chacota das torcidas de Coritiba e Paraná Clube – principalmente por parte das outras organizadas. Então, para defender a si próprio e aos seus, Julião “mudou de ideia”.
E a discussão principal é a importância do reconhecimento humano, turístico e econômico de um evento como a Parada da Diversidade – que teve seu caráter público barrado na Câmara. Acima de qualquer outra análise, somos todos iguais, sejamos heterossexuais, homossexuais ou bissexuais.
E, por mais que os vereadores contrários (inclusive o Julião da Caveira) não consigam admitir, há homossexuais nas câmaras de vereadores, nos palácios, nas redações da imprensa, nas ruas e nas casas. Assim como há heterossexuais. Não podemos dividir pessoas pela sua opção sexual. Mas é possível dividir pessoas públicas como tolerantes e intolerantes.