Dimensão exagerada

A terça-feira pode ter tido muitos assuntos, em Curitiba, no Paraná, no Brasil e no mundo. Mas ao abrir as páginas principais dos portais, brasileiros ou internacionais, só se via um assunto: Michael Jackson. O velório público do cantor, no ginásio Staples Center, em Los Angeles, foi o fato mais comentado pela imprensa internacional.

Nas emissoras de rádio, vez por outra os locutores davam as últimas informações. Nas emissoras de televisão, desde as abertas até as fechadas, especializadas em música ou não, todas falavam do velório de Michael Jackson. Algumas, como a Globo News, interromperam suas programações para transmitir o evento na íntegra. Em dado momento da tarde de terça, pelo menos nove emissoras (Bandeirantes, Record, Globo, Globo News, Record News, Band News, MTV, Multishow e CNN) exibiam ao vivo os shows-tributo, que tiveram, entre outros, Stevie Wonder e Lionel Ritchie.

Sem contar a internet, que desde a trágica morte do cantor está se fartando de notícias sobre ele, desde as mais naturais até as mais disparatadas, como a que circulou nas últimas horas, dando conta de que Michael Jackson estaria vivo. Uma verdadeira overdose de notícias.

Entende-se o frenesi da mídia. De uma parte, há demanda para tanta informação, tanto que sites de pesquisa e comentários, como Google e Twitter, chegaram a travar por conta de tanta procura. E isto se transforma em um incrível dominó, em que a imprensa aumenta a produção de notícias para evitar que os concorrentes ganhem público. Isto ficou evidente na luta pela audiência dos canais de televisão abertos – a rigor, nenhum canal interromperia sua programação, mesmo a vespertina (que tem menos Ibope), mas quando a Band entra com Michael Jackson, a Record rapidamente entra também, e a Globo não perde a viagem.

Esta preocupação deu uma dimensão talvez exagerada ao que aconteceu na terça-feira. Era um grande assunto, sem dúvida, mas o mundo continua vivendo. Só que, em um universo midiático, não podemos sequer escolher o que queremos saber.

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