A cada viagem para o exterior o presidente Luiz Inácio Lula da Silva traz surpresas. Na passagem pela Itália, que teve de encontro com o papa Bento XVI a reunião alegre com o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e os jogadores brasileiros do Milan, ele mais uma vez colocou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como potencial candidata à presidência da República na eleição de 2010. “A Dilma pode ser uma boa candidata para o Brasil”, afirmou o presidente.
Por sinal, foi uma confusão. Jornais italianos publicaram declarações do presidente, que teve que conversar com os jornalistas brasileiros que acompanham a viagem da comitiva para explicar direito a história, antes que ela tomasse maiores proporções.
O que acontece é que nem o presidente, nem o PT pretendem anunciar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil agora. Analistas políticos já dizem que a confirmação só virá em fevereiro de 2010, perto da convenção do partido. Faz sentido, já que 2009 será um longo ano para o governo federal.
É o ano em que saberemos se a crise financeira internacional vai afetar os projetos do governo federal. Apesar da prévia de queda no crescimento e no pé no freio anunciado pela equipe econômica para o Orçamento-2009, Lula quer manter o mesmo ritmo nos projetos sociais e no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – algo desconexo com a realidade mundial.
Se Lula tiver sucesso em seu plano, a candidatura de Dilma ganha grande fôlego. Apesar de não poder, o presidente dará ao pleito de 2010 um caráter plebiscitário, como se ele próprio fosse candidato. Vai colocar-se como fiador da ministra, e vai associar seu sucesso popular com a candidata, querendo incutir na população mais pobre a relação entre os projetos sociais e a continuidade do PT no poder.
Caso a crise aumente e afete os planos oficiais, Dilma corre o risco de se tornar um personagem menor na corrida eleitoral, forçando Lula a buscar uma composição com o PSB, lançando Ciro Gomes como candidato, ou – improvável mas não impossível – criando uma cisão no PSDB para forçar Aécio Neves a sair do partido. Será?