O governo federal deverá anunciar em breve o plano estratégico para a safra 2009/10, que começa a ser plantada a partir do mês de julho. O primeiro problema a ser equacionado é contornar as dificuldades para garantir linhas de financiamentos compatíveis com a realidade econômica dos produtores rurais. Com essa meta em vista, o governo está elaborando um novo programa de capitalização das cooperativas agropecuárias, baseado no binômio aumento dos limites de crédito e redução de juros.

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Quando o projeto estiver concluído, e não resta muito tempo para que isso aconteça, tendo em vista os prazos rigorosos dos ciclos das principais lavouras cultivadas no Brasil, o governo espera estar em condições de fornecer às cooperativas um novo “Recoop” com recursos para capital de giro a baixo custo. A finalidade é refinanciar as dívidas contraídas em passado recente pelas cooperativas mais importantes, embora a essência do programa governamental enfatize a necessidade da adoção de critérios rígidos na gestão dos negócios.

A prioridade do governo, segundo fontes da área econômica, é atender as cooperativas cujos débitos estão mais expostos aos riscos bancários. Mas, de acordo com o enfoque básico do novo projeto, as operações de capitalização serão necessariamente balizadas pelos modelos adotados pela empresa privada. Nesse sentido, o governo vai exigir das administrações das cooperativas o cumprimento de um leque de providências e cláusulas de desempenho econômico e financeiro. Todo cuidado é pouco, tendo em vista a carência de recursos e a amplitude das áreas de interesse para as políticas públicas de desenvolvimento.

Com referência à safra atual de grãos (2008/09), entre julho do ano passado e março do corrente, segundo relatório enviado ao governo por bancos públicos e privados, houve o recuo de R$ 9,5 bilhões na oferta de crédito rural. A retração do crédito para a agricultura empresarial chegou a 6%, com maior relevância nas chamadas operações de aplicação obrigatória sobre depósitos à vista (18%) e nos empréstimos bancários com juros livres (47%). A compensação parcial deu-se por meio da elevação de 70% nas aplicações dos recursos da “poupança rural” operada pelo Banco do Brasil e instituições de crédito cooperativo.

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A retração da economia global felizmente não impediu uma expansão situada acima de 90% nos financiamentos dos bancos cooperativos aos produtores rurais de porte médio. Em volume financeiro isso representou até agora a liberação de R$ 158 milhões, ou seja, 64% a mais que os R$ 86 milhões emprestados no ciclo agrícola anterior. Para a agricultura empresarial em 2008/09 os empréstimos chegaram a R$ 44,18 bilhões, ou 68% do total de R$ 65 bilhões programados para o financiamento do ano-safra. As aplicações na agricultura familiar cresceram 14% no período, fechando em R$ 7,14 bilhões dos R$ 13 bilhões estipulados para a temporada.

Visando o ano agrícola de 2009/10, o Banco do Brasil que se responsabiliza por 62% do volume do crédito rural em todo o País, estabeleceu a meta de elevar em 30% os empréstimos para o setor. O pensamento é diversificar a carteira de crédito rural e sair do eixo soja-milho, no qual estão excessivamente concentrados os financiamentos concedidos pela instituição estatal. Até abril, o BB já havia emprestado ao setor rural mais de R$ 25 bilhões. Com a longa experiência adquirida no acompanhamento das safras, o pessoal técnico do BB acredita que a recuperação da renda perdida pelo setor rural prosseguirá no próximo ciclo agrícola. Os fatores positivos seriam os preços das commodities em alta, câmbio favorável em dólar, menores custos de produção e retomada dos financiamentos pelas tradings que deixaram de operar na safra passada.

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Apesar do nível preocupante do atual endividamento dos produtores agropecuários brasileiros, o setor conseguiu atravessar a crise sem sofrer danos irreparáveis. O ritmo crescente da comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas permite aos analistas arriscar um prognóstico otimista quanto ao desempenho do campo. A conferir.