A desistência da candidata Tuca Cartário (PDT) em disputar a eleição para a Prefeitura de Fazenda Rio Grande (na Região Metropolitana de Curitiba) é a mais triste notícia deste período eleitoral. Abandonar uma campanha é direito de qualquer candidato, mas a forma com que Tuca, filha do deputado estadual Geraldo Cartário (também do PDT), é forçada a desistir do pleito é profundamente lamentável. É a vitória da violência, é a derrota da democracia.
Não se discute neste momento situações, possibilidades ou ideologias. Não vem ao caso saber se Tuca era ou não boa candidata, se tinha chances de vencer a eleição, se seria ou não uma boa prefeita para Fazenda Rio Grande. Interessa é constatar que foi uma tentativa de assassinato que fez com que a política largasse tudo e pensasse em sua vida.
Foi isso que aconteceu no último domingo, dia 31. O carro dela foi fechado por uma caminhonete, e deste veículo partiram tiros. Dois acertaram Tuca Cartário, que ficou hospitalizada. Comenta-se, agora, que ela era alvo de ameaças de morte nos últimos dias. Querendo ou não, mesmo sem saber dos culpados, aconteceu um atentado em Fazenda Rio Grande.
Compreende-se naturalmente a desistência da agora ex-candidata. Por mais prementes que sejam os problemas urbanos de Fazenda Rio Grande, seria possível a Tuca Cartário governar (caso fosse eleita) sendo ameaçada? Valeria a pena continuar uma campanha e continuar correndo risco de morte? A decisão privilegiou a vida, e temos que respeitar a atitude dela.
E como o estrago foi feito, a política perdeu para a violência e Tuca abandonou a campanha, a tarefa agora é da polícia e do poder constituído. É obrigação do governo estadual e da Prefeitura de Fazenda Rio Grande exigir investigação completa sobre o caso, para que se descubram, o mais rápido possível, os autores e os possíveis mandantes do atentado, caso realmente existam.
Só isso diminuirá a indignação da sociedade depois deste atentado não a uma política, mas à democracia no Paraná.