Osmar Zogbi

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Hoje, o Brasil vive sob o regime democrático. Como tal, erigiu e aplica um conjunto de leis que conferem a cada cidadão direitos e deveres. E é da natureza das instituições democráticas privilegiar as saídas pacíficas para qualquer tipo de conflito ou disputa.

Assim, é o chamado estado de direito que estabelece a ordem e permite que a sociedade brasileira conviva e logre alcançar o seu desenvolvimento. Neste caso, não há substituto para a democracia: as diferenças de opinião não podem ser simplesmente tratadas à margem da lei e por meio da violência. Qualquer movimento ou qualquer reivindicação deve seguir o rito das iniciativas conciliatórias e obedientes ao direito.

Lamentavelmente, não foi o que aconteceu no recente episódio de invasão das instalações da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul, por um grupo de duas mil mulheres sob a bandeira da organização ?Via Campesina?. De forma oportunista, até por se tratar do Dia Internacional da Mulher, o grupo invadiu as instalações da empresa, deixando um rastro de destruição, após render os funcionários encarregados do acesso ao local.

Naturalmente, por suas características de extrema desfaçatez e gratuidade, o ato repercutiu intensamente nos meios de comunicação locais e internacionais: a que causa serve uma manifestação que fere os direitos de propriedade e coloca em risco a vida dos trabalhadores?

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E aí cabe uma outra questão: qual a extensão do dano de imagem do País no exterior? É forçoso reconhecer que o prejuízo é apreciável e pode ajudar a desfigurar toda uma história de sucesso que o setor brasileiro de celulose, papel e florestas plantadas vem construindo ao longo do tempo. As imagens, por si sós, são eloqüentes: destruição de um viveiro de produção de mudas de eucalipto; a perda de um milhão de mudas prontas para plantio e de um laboratório, com o desmantelamento de um trabalho de décadas de pesquisa genética. Importante frisar que o Brasil ostenta a posição de líder mundial em manejo florestal, exatamente por realizar pesquisas de ponta. Para tanto, o setor se utiliza apenas de florestas plantadas que coexistem em harmonia com as florestas nativas. Isso significa que, diferentemente do que se possa pensar, a cultura do eucalipto ajuda a preservar as florestas nativas e sua biodiversidade, e não o contrário. Tanto é assim que as empresas do setor mantêm uma área de 2,6 milhões de hectares de florestas nativas preservadas, enquanto a área utilizada para a cultura do eucalipto e do pinus ocupa 1,6 milhão de hectares, destinados à produção da matéria-prima de celulose e papel.

E o papel é, sem dúvida, um dos insumos mais importantes para o dia-a-dia das pessoas, nas suas múltiplas aplicações: nas embalagens, na própria imprensa, no uso gráfico, na produção de livros e cadernos, nos produtos de higiene pessoal e também nos reciclados.

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Em paralelo, o setor mantém programas regulares de fomento florestal, por intermédio de parcerias com pequenos e médios produtores rurais, que passam também a desenvolver o plantio do eucalipto e do pinus lado a lado com outras atividades econômicas, como culturas agrícolas e pecuária: uma forma de estimular o empreendedorismo, tão necessário ao progresso da nação. Outro dado relevante: gera mais de 100 mil empregos diretos, recolhe aos cofres públicos impostos da ordem de R$ 2 bilhões (2005) e tem investimentos superiores a US$ 14 bilhões no período de 2003 a 2012, além de exportações no montante de US$ 3,4 bilhões em 2005.

Ao final, o setor atinge hoje uma participação de 1,4% no PIB – Produto Interno Bruto -do País.

Todo esse esforço redunda em expressivas divisas para o País, além de contribuir decisivamente para o desenvolvimento regional. A exemplo de Barra do Ribeiro – RS, o setor está presente em outras regiões carentes de investimentos e oportunidades de crescimento para milhares de brasileiros, como o norte do Espírito Santo, o sul da Bahia e novas fronteiras como o Amapá, além de outras regiões em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Em cada lugar em que atua, pauta a sua conduta não somente por cumprir as suas obrigações legais, também por investir maciçamente no desenvolvimento sustentável, que une, ao desempenho econômico, as ações de responsabilidade social e ambiental. Tudo porque o setor acredita que a democracia garante os direitos individuais e coletivos, bem como propicia o melhor ambiente para a solução de conflitos de maneira pacífica. Só assim será possível imaginar-se uma sociedade desenvolvida e cuja prosperidade decorrerá, em parte, da iniciativa privada. Acima de tudo, dependerá de planejamento e de políticas públicas mais incisivas no enfrentamento das questões sociais.

Osmar Zogbi é presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel – Bracelpa.