A notícia estampada na edição de ontem de O Estado era, convenhamos, esperada. Cedo ou tarde os opositores do governador do Paraná iriam pedir na Justiça a interrupção dos depoimentos a favor do mandatário instalado no Palácio das Araucárias apresentados na TV Educativa. Foi o que fez o deputado Élio Rusch (DEM), líder da minoria na Assembléia Legislativa. Impedido de fazer críticas ofensivas aos que considera adversários políticos na emissora de TV pública, o governador usa o subterfúgio das mensagens de diversos políticos, jornalistas e personalidades para condenar o que ele chama de “censura”.
Na ação, preparada pelo advogado Luiz Fernando Pereira, um trecho foi sublinhado pela repórter Elizabete Castro: “São todas declarações em apoio direto à pessoa do governador. Lícito concluir, portanto, que as ilegalidades praticadas por Requião e flagradas pelo TRF permanecem. O que se alterou, no entanto, foi tão-somente a forma, já que Requião deixou de fazer o papel de crítico e passou a posar de vítima do Judiciário”.
É certo que uma emissora de TV tem o direito de apresentar depoimentos de quem quer que seja sobre o assunto que julgar conveniente. Mas, lembremos, uma TV pública (o caso da TV Paraná Educativa) não pode se tornar panfletária, esquecendo de tudo em nome de um objetivo claro – no caso, o de criticar a Justiça. Por sinal, interessante que a emissora do governador não se canse de mostrar os depoimentos sobre um mesmo assunto, logo ele que acusa a imprensa de se deter em apenas um tema.
Além disso, é importante lembrar que não está se fazendo censura. Afinal, a censura se aplica quando alguém proíbe a veiculação de qualquer assunto. Neste caso, o governador está impedido, pela Justiça, de fazer críticas ofensivas contra aqueles que não gosta. Um exemplo: seria correto se um colunista ou repórter de jornal usar o termo “canalha” para se dirigir a qualquer pessoa? Não. É o que acontece com o chefe do Executivo estadual – ele não pode chamar ninguém de “canalha” na TV. Isto é simplesmente bom senso.