Na tarde de quarta-feira, os pais de Gilmar Rafael Souza Yared, 26 anos, morto semana passada em um acidente envolvendo o deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB), entraram com um pedido de cassação do mandato do político na Assembleia Legislativa do Paraná. Eles alegam a quebra do decoro parlamentar por parte de Carli Filho, que estava dirigindo em alta velocidade, com “hálito etílico e sinais de agitação”, como consta do registro dos bombeiros, e sem carteira de habilitação, que estava cassada por excesso de multas.
É interessante a manifestação dos pais de Gilmar Rafael. Afinal, sempre falamos em “quebra de decoro” quando algum político (ou pessoa pública) comete falhas ou apresenta desvios de conduta no trabalho. Por exemplo: um parlamentar que aceita ou promove o suborno passa por um processo de cassação por quebra de decoro. Quer dizer, há sempre uma razão pública e de direta relação com o exercício da profissão. Como consta do dicionário Houaiss, decoro é a “postura requerida para exercer qualquer cargo ou função, pública ou não”.
Mas o pedido de cassação de Carli Filho remete à outra definição de decoro, que também está no Houaiss: “Acatamento das normas morais; dignidade, honradez, pundonor”. É a atitude que gera o adjetivo “indecoroso”, que anda distante do léxico político, pois não sabemos mais o que é indecoroso para a classe política – se é que há algo indecoroso.
E se um político não acata as normas morais, atenta contra a dignidade pública, se afasta da honradez? Falta-lhe, então, decoro, seja parlamentar, seja político, seja qualquer coisa. E pela série de situações acumuladas e que aumentam as suspeitas sobre o deputado estadual, a possibilidade de continuidade do processo de cassação é muito grande.
Sim, pois a situação é de clara quebra do decoro. Carli Filho, tenha ou não culpa no acidente, não poderia de forma alguma estar dirigindo sem a carteira de habilitação e sob o efeito de bebida alcoólica. Ferir a lei é algo inadmissível para qualquer pessoa, muito mais para um político. O deputado errou. E ainda não sabemos o tamanho do erro.