Debandada prevista

Dia após dia, os fatos se repetem. São políticos por todo o Estado deixando o PMDB e se filiando a outros partidos, como PTB, PPS, PR e, principalmente, PSDB. São sempre nomes fortes em regiões mais distantes do Paraná – alguns desconhecidos do centro do poder, mas que respondem por bases eleitorais interessantes. Aos poucos, o partido do governador Roberto Requião fica enfraquecido, e justamente na “contagem regressiva” para a eleição de 2010.

A movimentação não era visível, pelo menos até o início desta semana. Foi quando o ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Sâmis da Silva, assinou filiação no PSDB, com um evento concorrido realizado em Curitiba – liderado pelo presidente estadual do partido, deputado estadual Valdir Rossoni, e pelo prefeito de Curitiba, Beto Richa, este um dos pré-candidatos tucanos ao governo do Paraná (o favorito das bases e líder, até o momento, das pesquisas de intenção de voto).

A surpresa do acontecido foi justamente quem saiu do PMDB e foi cerrar fileiras com o PSDB. Sâmis foi um dos mais importantes aliados de Requião no segundo mandato do governador (entre 2003 e 2006), e é filho de Dobrandino Gustavo da Silva, deputado estadual e um dos líderes da “tropa de choque” da base aliada na Assembleia Legislativa. Quando um nome deste porte, e com esse histórico, pula do barco oficial, é que a debandada tomou grandes proporções.

E a situação do mandatário do Palácio das Araucárias é tão complicada que os políticos não têm mais preocupações em irritá-lo. Foi o caso do atual presidente do diretório municipal do PMDB em Foz do Iguaçu, o vereador Sérgio Beltrame, que não só compareceu na festa de filiação de Sâmis como tirou foto ao lado do tucano recém-chegado e, “pecado maior”, de Beto Richa.

O reflexo do ato de Beltrame está na matéria dos repórteres Roger Pereira e Elizabete Castro, na edição de ontem de O Estado: “O presidente estadual do PMDB, deputado Waldyr Pugliesi, vai propor a intervenção no diretório municipal de Foz do Iguaçu. Pugliesi considera ‘inaceitável’ a participação do presidente municipal do partido, vereador Sérgio Beltrame, na festa de filiação do ex-prefeito Sâmis da Silva. (…) Pugliesi irá submeter o pedido de intervenção à executiva estadual na reunião da próxima segunda-feira, 1.º de junho. (…) Ele destacou que a atração de novos filiados ao PMDB também faz parte da estratégia de construção da candidatura do vice-governador Orlando Pessuti ao governo do Estado. “E esse camarada vem aqui, em Curitiba, fazer a campanha de quem?’, disse Pugliesi, referindo-se a Beto, um dos pré-candidatos do PSDB ao governo estadual”.

Depois do posicionamento de Pugliesi, Sérgio Beltrame deu a seguinte declaração: “É um exagero, pois não estava lá como peemedebista e sim como amigo do Sâmis. Eu nem queria aparecer na foto, mas se o Dobrandino apareceu, não vi problema”.

Pois é. O nervosismo do presidente estadual do PMDB ficou centrado no vereador de Foz, passando ao largo do deputado Dobrandino. E, a rigor, Waldyr Pugliesi está realmente preocupado com a debandada anunciada de peemedebistas, que só tende a aumentar com a proximidade das eleições gerais de 2010.

Enquanto isso, o governador estava em Brasília, festejando a inauguração de um estúdio para a TV Educativa. Tentando manter a altivez, disse que abre a emissora para todos os pré-candidatos ao governo no ano que vem, permitindo a discussão dos grandes temas do Estado. “Podem vir o Pessuti, que deve ser o candidato do PMDB, com meu apoio, o Osmar, o Alvaro, e até aquele menino de Curitiba, o Betinho…”, ironizou Roberto Requião. E foi justamente na ironia, na qual ele é mestre, que ele mostrou ter sentido o golpe.

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