O maior sucesso da televisão brasileira na atualidade é o programa Big Brother Brasil, da TV Globo. O “reality show” cativa a audiência, sequiosa em saber das intimidades das pessoas – mesmo as, neste caso, totalmente desconhecidas. Graças ao programa, criou-se uma nova frase-padrão para as conversas – “vamos dar uma espiadinha”, do jornalista e apresentador Pedro Bial.
Pois bem. Agora, no Colégio Estadual do Paraná, o maior do Estado, uma equipe de segurança vai poder dar uma espiadinha. Está na matéria da repórter Luciana Cristo, na edição de domingo de O Estado: “Ainda neste semestre, o Colégio Estadual do Paraná pretende implantar 76 câmeras no circuito interno para aumentar a segurança. Os equipamentos serão responsáveis por monitorar a comunidade escolar composta por quase 9 mil pessoas que circulam pelo colégio. A instalação das câmeras está em fase de licitação e elas devem ocupar todos os espaços do colégio, com exceção das salas de aula e banheiros”.
Um dos motivos, segundo a direção do colégio, foi o registro de três casos de porte de drogas por alunos. E isto, infelizmente, é apenas o início. Uma busca mais acurada nas escolas e colégios, públicos ou particulares, vai encontrar tremendos desvios de conduta. Uma patrulha nos entornos (ruas e avenidas) verá uma indústria de contravenção rondando nossos filhos e netos. E, até segunda ordem, há estudantes entranhados nesta triste realidade. E mais do que imaginamos.
Daí a medida teoricamente exagerada do Colégio Estadual do Paraná ter razão de ser. Claro que o cuidado tem que partir da autoridade de segurança pública, fora das escolas, evitando que maus elementos influenciem os jovens, mas é fato consumado a ação também dentro das instituições. E a única atitude plausível é a instalação de câmeras de segurança, sem que no entanto o equipamento constranja os menores.
Enquanto isso, nós temos a obrigação de tentar afastar os jovens da contravenção. Somos co-responsáveis pela educação deles – se as escolas dão o ensino formal, cabe às famílias orientar os menores com responsabilidade.