Amanhã, o Brasil “comemora” os quinze anos da criação do real. A moeda já é a mais usada na história da industrialização do País. Se contarmos que, antes de chegar o atual dinheiro, tivemos o cruzeiro real, cruzeiro, cruzado novo, cruzado, cruzeiro, novo cruzeiro, cruzeiro (isto mesmo, três vezes) e mil-réis, todos ficarão perdidos. Principalmente os que não viveram o período da hiperinflação, quando o salário do mês ficava defasado no dia seguinte.

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Eram tempos do temível remarcador, aquela máquina que mudava os preços nas gôndolas dos supermercados todo dia. A definição via código de barras era impossível, porque não haveria condição de atualizar toda uma gama de produtos diariamente. Por isso, e pela falta de tecnologia, os mercados atacavam de etiqueta mesmo. E aquilo que no dia 5 custava 100 cruzeiros, passava a custar 120 no dia 20.

Por isso, as pessoas faziam “rancho”, “pedido” ou “compra do mês”, dependendo do nome que cada família dava. Era aquela ida ao mercado para comprar tudo, se possível em quantidade que sustentasse a casa por mais de um mês, para valer a pena. E os carros saíam dos mercados atulhados de compras, com caixas de óleo de soja, latas de sardinha, pacotes de cinco quilos de farinha de trigo e outros produtos de primeira necessidade.

Hoje a cultura é outra. As pessoas vão quase todo dia aos mercados, compram apenas o que precisam para o momento, porque sabem que os preços não sobem tanto. Claro que ainda há reajustes – ainda mais em quinze anos. Mas o impacto é muito menor, pois falamos de inflação de 1% (quando muito) ao mês, em vez de 20%, 40% ou os emblemáticos 81% do final do governo do presidente José Sarney, em março de 1990.

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Os quinze anos do Plano Real podem mesmo ser comemorados. Vencemos a luta contra a inflação, tivemos enfim êxito na busca pela economia controlada. O Brasil cresceu muito, amadureceu mais ainda de 1994 para cá. Vitórias que conquistamos a cada dia, e que as futuras gerações receberão de herança daqueles que sofreram com o dragão que destruía o dinheiro ganho com o trabalho de cada dia.