O trágico desfecho do “seqüestro de Santo André”, com a prisão de Lindemberg Alves, os ferimentos em Nayara Silva e a morte de Eloá Cristina Pimentel, deixou a sociedade brasileira estarrecida. A forma como a Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) promoveu a ação, as atitudes tomadas pelos negociadores e pela PM durante a semana, as reações díspares de Lindemberg durante o drama e o triste falecimento de Eloá estão marcados na memória e dificilmente serão retirados. O caso entra na cronologia de um 2008 que tinha até agora a morte de Isabella Nardoni como fato mais brutal.

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Uma das discussões mais acaloradas reside na ação policial. Não no momento da invasão do apartamento, mas durante todo o período, pois atiradores de elite estavam posicionados e prontos para acertar Lindemberg. Questionado sobre o assunto, o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM-SP, disse que a ordem para não atirar foi decisão da polícia. “Poderíamos ter dado um tiro de comprometimento, mas era um rapaz de 22 anos, sem antecedentes criminais, vivendo uma crise amorosa”.

Disse mais o coronel Félix. Relatou que, após o seqüestro, estão questionando o fato de não terem atirado no jovem; caso tivessem atirado, estariam questionando o porquê de terem atirado.

Tem razão o coronel da PM paulista. Vivemos em uma sociedade midiática que não aceita qualquer resposta. Sempre há um contraponto, sempre há muitos que não admitem qualquer desfecho para um caso de risco – tal como o de Santo André. E ainda há quem se traveste de especialista em seqüestro sem ter nunca participado de uma ação policial de resgate.

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O problema é que isto se transfere para a população, que não consegue saber qual foi a atitude mais correta, e embarca na onda de palpites e suposições. Tal como falou o coronel Eduardo Félix, qualquer decisão que a polícia tomasse seria criticada. E isto é correto? Criamos um mundo de incoerência, onde há culpa por todo lado. Só não existe a avaliação fria e correta dos fatos.