Desde a descoberta da energia elétrica, cada geração sofreu uma revolução cultural imprimida pela mídia. Tomando somente os últimos séculos, começamos com a fotografia, passando para o cinema, a primeira possibilidade de se registrar o mundo em movimento. Como outras formas de comunicação, ele sofreu mudanças com o tempo, a mais notável sendo a criação do registro sonoro para os filmes.
Mais tarde, foi o rádio. Era a revolucionária invenção para a época, propagando o áudio em tempo real para todos os lados. A introdução das ondas curtas, depois das ondas médias, e bem mais tarde da frequência modulada, foram as grandes “mutações” do rádio, que na essência se mantém como referencial de comunicação simples e expressa.
Depois, foi a vez da televisão. Esta, talvez, a mais emblemática das revoluções midiáticas. O mundo mudou depois da implantação de serviços de televisão. O Brasil, por exemplo, uniu-se pela telinha e, com isso, teve costumes, linguagens e regionalismos destroçados pela audiência maciça da Rede Globo, principalmente nos anos 80s. Da televisão comum surgiram a versão com cabo, a miniantena que capta o mundo inteiro, o videocassete e o DVD.
A revolução seguinte foi a dos computadores pessoais (começaram, vá lá, com os videogames). Era o início de um período de reclusão ao lado da máquina, de mudança de comportamento de uma geração que se aferrou ao “PC” como um dos “eletrodomésticos” mais importantes – se não o mais importante – da casa.
Mais brutal que a chegada dos computadores foi a implantação da internet. É uma mudança tão grande que ainda não se completou, até porque com ela chega uma nova pessoa, um “humanonet” que passa quase as 24 horas do dia plugado, acessando blogs, atualizando Twitter e Orkut, fazendo compras pela rede e conversando no Messenger do aparelho de telefone celular.
A internet fez explodir o número de lan houses, as casas que oferecem computadores com acesso à rede por preços módicos. A cada rua há uma delas. É impossível contar quantas são em Curitiba, por exemplo – até pelo fato de muitas delas não estarem devidamente registradas. Jovens passam horas enfurnados nestas casas, preocupando os pais, que não sabem ao certo o que acontece por lá.
Daí o projeto de lei dos deputados estaduais Marcelo Rangel (PPS) e Ney Leprevost (PP), que exige a instalação de câmeras de segurança e o cadastramento dos clientes das lan houses. É um tema polêmico, principalmente pelo gasto dos pequenos empresários. O projeto recebeu emenda do deputado estadual Jocelito Canto (PTB), retornou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná e voltará ao plenário para receber a redação final.
A maior preocupação é a disseminação de crimes virtuais, de forma especial a pedofilia. Portanto, como contou a matéria de O Estado de 16 de maio, a lei “prevê a instalação de câmeras de segurança em lan houses com o objetivo de combater crimes virtuais, como a pedofilia. Caso entre em vigor, a nova lei exigirá a realização de um cadastro de todas as lojas que oferecem o serviço”.
E, por mais que os donos destas casas reclamem, é um cuidado necessário e até obrigatório. Apesar de serem quase independentes, de controlarem um computador com facilidade, e de saberem quase tudo que estão fazendo, a grande maioria dos usuários de lan houses é menor de idade. E, portanto, correm risco de virarem vítimas de cybercriminosos. A sociedade sabe disso, e espera atitudes do poder público. O projeto de lei está aí. Merece cuidadosa e, ao mesmo tempo, ágil avaliação dos parlamentares. Pelo bem de nossas crianças.