Crise que não passa

O futebol paranaense vive um momento delicado no cenário nacional. E o retrato mais escancarado vem do Paraná Clube, que se encontra em uma crise que não passa – está nela por pelo menos dois anos. É como se o clube, que nasceu como a grande potência do esporte local, seguisse todas as regras para terminar esfacelado, como aparenta estar agora.

Tudo por causa de interesses distantes do Paraná. O repórter Irapitan Costa, na edição de domingo de O Estado, apontava um problema: “O tricolor é um claro exemplo do que a vaidade pode gerar no futebol. A cada momento surge uma ‘corrente’ discordante e nessa queda de braço o clube não consegue sequer se estruturar para evitar os recentes vexames”.

O colunista Luiz Augusto Xavier, na terça-feira, colocava o dedo na ferida: “De cada lado, interesses distintos, conforme a preferência por uma das duas pilastras que tentam manter o futebol do clube. Pelo que se sente de fora, colocados acima dos interesses do próprio clube, que deveria ser o ponto de convergência de todo o trabalho realizado por quem a ele está ligado”.

O Paraná Clube é refém de “empresários”, termo usado para quem investe em jogadores e repassa-os aos clubes. Estes estão pouco preocupados com a situação em campo, e querem saber de valorizar seus atletas para conseguir contratos mais interessantes. Em outros times, claro. Com todo mundo tentando levar vantagem, numa típica encenação da “lei de Gérson”, o Paraná Clube está à deriva. Precisa, com urgência, de atitudes drásticas de sua diretoria, no mínimo lembrando aos “parceiros” que há quem mande no tricolor.

Além disso, que as correntes políticas dentro do clube entendam que não é com o fracasso que se vence uma eleição. Nota-se, dentro do Paraná Clube, o mesmo mal que afeta nossa política – para muitos, a tática do “quanto pior, melhor” é a mais interessante, e para chegar a esse ponto tudo pode ser feito, mesmo destroçar um clube que já foi grande. É a prova de quanto o futebol se aproxima do nosso dia-a-dia. Neste caso, da pior maneira possível.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google