O Tesouro Nacional divulgou relatório sobre o panorama financeiro do que se conhece como núcleo central do governo (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), revelando que o déficit primário contabilizado em maio fechou em R$ 120,2 milhões. Isto quer dizer que as contas públicas voltaram a fechar no vermelho, sendo que o referido valor representa a diferença entre receitas e despesas governamentais, com exceção dos gastos com o pagamento dos juros da dívida pública.

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Foi a segunda vez no ano que o governo teve resultado negativo, embora não tão significativo como o apurado em fevereiro passado (R$ 1,11 bilhão). Desde a explosão da crise financeira em setembro do ano de 2008, é a quarta vez que as contas públicas fecham no vermelho. Segundo os analistas não acontecia algo parecido desde maio de 1999, quando o déficit foi de R$ 650 milhões. Com o déficit referente ao mês de maio, o acumulado do ano totalizou R$ 19,3 bilhões, contra os R$ 53,5 bilhões registrados nos primeiros cinco meses do ano passado.

Os especialistas em finanças públicas assinalam que as causas do déficit primário são devidas ao crescimento de 18,8% nas despesas, ao passo que houve uma retração de 0,85% nas receitas em comparação com o mês de maio de 2008. O governo reduziu a meta do superávit primário para o núcleo central de 2,15% para 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), liberando cerca de R$ 20 bilhões para as despesas, objetivando por outro lado o aumento dos investimentos.

Entre janeiro e maio os investimentos públicos federais foram de R$ 9,276 bilhões, ou 24,8% a mais que no mesmo período anterior. O custeio da máquina pública também demandou maior volume de recursos com a elevação de 23%, enquanto a folha de pagamentos do funcionalismo da União teve incremento da ordem de 22,6%. De outra parte, os pagamentos do Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que permite ao governo excluir até 0,5% do Produto Interno Bruto do cálculo do superávit primário para aplicações em investimentos prioritários em infraestrutura e saneamento, somaram R$ 2,977 bilhões nos primeiros cinco meses desse ano, registrando alta de 30% em comparação com o mesmo período do ano passado.

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No mesmo dia em que o governo mostrava sua versão sobre os efeitos da crise (quinta-feira, 25), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) tornou pública a estimativa de crescimento negativo da economia brasileira em 2009. O Produto Interno Bruto desse ano será, nas estimativas da instituição, de menos 0,4%, como decorrência natural da queda de produção e dos níveis de investimentos no setor industrial. A atualização da projeção da CNI não chegou a surpreender, tendo em vista que em março passado já se comentava que o PIB de 2009 seria alguma coisa próxima de zero.

Mesmo diante do aumento projetado de 0,7% no nível de consumo das famílias e com alguma aceleração moderada da economia nos meses seguintes, a CNI não vislumbra sinais positivos quanto à elevação do ritmo da produção industrial. A impressão foi transmitida por Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da entidade em conversa com jornalistas. A principal razão é o baixo patamar da produção atual, isto é, 15% menor que a produção verificada no primeiro quadrimestre do ano passado.

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Com a crise ameaçando severamente o setor da produção de bens de capital, o governo se mostra inclinado a lançar mão de medidas que facilitem o acesso ao crédito com a redução das taxas de juros para estimular os empresários nacionais. O pensamento predominante entre técnicos do Ministério da Fazenda é desobstruir o caminho para a obtenção de empréstimos mais baratos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entretanto, qualquer desoneração tributária, como pleiteia o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Augusto Neto, na concepção do governo aumentaria o impacto negativo sobre a arrecadação, além de não servir de garantia para a elevação das vendas.