Nós, brasileiros, não desistimos nunca. Nem de pagar as dívidas. Talvez por isso sejamos “apaixonados” pelo crédito. No último mês, segundo o Banco Central (BC), a participação das operações de crédito no Produto Interno Bruno (PIB) foi de 37%. Quer dizer, mais de um terço do ativo movimentado no País em julho estava “comprometido” com operações de médio e longo prazo. Em um ano, o crescimento é de 32,7%.

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A explosão do crédito é visível, não necessita de análise acurada – mas os números do BC causaram surpresa. Por todo canto, as lojas oferecem produtos com preços convidativos e prazos idem, permitindo que classes mais baixas tenham acesso a ofertas interessantes. É isto que faz casas humildes terem televisores novos, computadores recém-comprados e cozinhas reformadas.

A mudança nas operações de longo prazo também é vista na construção civil. Não são só os apartamentos que podem ser financiados por mais e mais anos. O material de construção pode ser comprado em prestações “a perder de vista”, com o apoio explícito do governo federal, que oferece crédito através da Caixa Econômica Federal.

Esta tendência deve se afirmar nos próximos meses. É natural, com a consolidação do sistema macroeconômico, o aumento dos prazos e a maior oferta de crédito para a população – e também para os empresários, que podem gastar mais e investir a longo prazo com juros bastante convidativos. Isto permite que os prazos das lojas aumentem, e, num efeito cascata, melhore também a situação do consumidor.

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O que precisa sempre ficar claro é que ninguém pode dar o passo maior que a perna. Carros, apartamentos, eletrodomésticos e materiais de construção não podem se tornar elementos definitivos em um orçamento familiar. Apesar de o crédito estar mais acessível atualmente, comprar por impulso ainda é um pecado mortal, ainda mais bens duráveis como casas e automóveis. Não é possível gastar mais do que se tem. Afinal, os juros baixaram, mas continuam à espreita.