O volume de exportações com origem no agronegócio poderá contabilizar ao longo desse exercício, a primeira perda em dez anos no faturamento em moeda norte-americana, devido às turbulências ainda prognosticadas para o mercado internacional. A informação veio do Ministério da Agricultura e Abastecimento, mesmo com a reação dos preços pagos, em janeiro, pelas commodities agrícolas mais procuradas. A retração estimada para os embarques de 2009 será de 11%, caindo de US$ 71,8 bilhões para US$ 63,4 bilhões. A receita em reais, no entanto, crescerá em face da desvalorização da moeda nacional frente ao dólar.
Dessa forma, o governo confia que as exportações agropecuárias desse ano cheguem a R$ 145 bilhões, valor que excede os R$ 131,7 bilhões vendidos no ano passado. Apesar do cenário instável do mercado mundial devido à crise financeira, a expectativa ainda é favorável no ponto de vista dos técnicos da secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura. O argumento convincente utilizado pelo secretário nacional Célio Porto está subordinado à necessidade que os países têm de importar alimentos, mesmo que todos, em diferentes graus de dificuldades, sejam obrigados a suplantar os obstáculos da crise.
O setor de carne bovina in natura teve sérios problemas, em 2008, diante da decisão da União Européia de fechar o mercado para a entrada do produto brasileiro. O prejuízo calculado pelo governo chegou a US$ 586 milhões, representado por embarques que deixaram de ser feitos em função do embargo. No ano anterior (2007), o produtor brasileiro havia embarcado para o exigente nicho do mercado global, pouco mais de 195 mil toneladas de carne bovina in natura, mas no ano passado esse volume refluiu para combalidas 36,2 mil toneladas.
No curto período de um ano, verificou-se que País acabou perdendo cerca de 160 mil toneladas nas exportações de carne bovina. O preço médio por tonelada de cortes nobres no mercado europeu atingiu US$ 7.471, enquanto que nos demais destinos a cotação não passou de US$ 3.786 por tonelada, refletindo no aumento de um prejuízo financeiro de graves proporções. As causas, bem conhecidas, estão na decisão do bloco de exigir uma lista de estabelecimentos pecuários certificados pelo governo brasileiro, tendo em vista à observância de normas sanitárias internacionais para a seleção de animais para o abate. Foram incluídos na relação 2.681 fazendas, embora a União Européia tenha comunicado no final de janeiro de 2008 que a lista não seria aceita.
A razão essencial, mais uma vez, residia na leniência da correção das falhas apontadas anteriormente no sistema de rastreamento do gado no território do País, mais conhecido pela sigla Sisbov. A lista foi diminuída sensivelmente e atualmente conta com 814 estabelecimentos aprovados, razão pela qual o volume de carne exportada para a União Européia chegou a níveis tão reduzidos. Na avaliação de Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Suína (Abipecs), setor também agravado pelo embargo europeu, é mínima a possibilidade de recuperar o terreno em 2009, tendo em vista que o Brasil acabou perdendo seu cliente mais expressivo.
Por sua vez, o governo argumenta por meio do secretário nacional de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, que a reversão do quadro global pressionou as vendas de carne para o exterior, especialmente para os países do bloco europeu. O encolhimento da demanda, inclusive, resultou na redução e até no cancelamento dos prêmios pagos por arroba de animais selecionados nas unidades certificadas, fazendo com que os pecuaristas relaxassem várias exigências do Sisbov. A essa altura, o governo acredita que o importador europeu está ciente da melhoria do sistema de certificação de gado, enfim, uma expectativa que somente será respondida de modo eficaz com a suspensão das barreiras impostas para o reposicionamento, no mercado europeu, da carne produzida de acordo com padrões atualizados. O setor espera confirmar a boa notícia no médio prazo.