Daniel Augusto Maddalena
Há uma conspiração sendo arquitetada. Silenciosa e inexorável, ela avança dia a dia, sem que possamos absorver sua voracidade, absortos que estamos em nosso cotidiano, bombardeados por um sem-número de informações e vulneráveis às manobras maquiavélicas, sub-reptícias até.
Quem a fundo sabe exatamente nos dizer, com propriedade e, principalmente, com credibilidade, no que se resume o grão transgênico? Até hoje não nos foi apresentado um estudo que comprove efetivamente todos os benefícios e malefícios desse tipo de alimento geneticamente transformado, bem como seu impacto sobre o organismo humano a longo prazo. As suas características peculiares, no que concerne à economia, estão bem claras, ao contrário da questão acima. Deter a patente e a autorização de um governo para comercializar grãos transgênicos é, mutatis mutandi, dar a outorga a uma corporação do domínio da produção de todos os agricultores que estarão reféns, após o plantio. Não há como escapar. O controle da produção ficará com quem tem a patente do grão, da semente, uma vez que, não por acaso, a maior peculiaridade desse tipo de produto agrícola é não ser auto-renovável.
Não há como ?tirar? novas sementes da produção. Já dá para vislumbrar, sem querer ser utópico, o que acontecerá daqui a alguns anos. Megacorporações econômicas, donas de laboratórios de pesquisa genética e detentoras de patentes de grãos estarão ditando as regras da produção de alimentos do planeta.
E o que tem o cooperativismo a ver com tudo isso? Ao analisar os últimos anos do cooperativismo no País, identificaremos um movimento conspiratório, subliminar, que ocorre com o ramo trabalho, ou de serviços, como quer que o chamem. Por inúmeras vezes, escrevi sobre os problemas enfrentados pelo sistema cooperativista de trabalho no cenário brasileiro – prós e contras, perseguições corporativistas, usura do modelo e grandes cooperativas com imenso potencial econômico sendo obrigadas a ?desligar suas turbinas? diante de um determinado membro do Ministério Público do Trabalho que ali entendeu haver fraude. Outras tantas cooperativas de trabalho surgem a cada dia sem estrutura e competência administrativa. E inúmeras estão sobrevivendo graças ao empenho de seus sócios-cooperados que nunca desistirão do modelo que hoje lhes garante o sustento da família.
Agora é chegada a hora de fazer uma análise política dos percalços que ainda estão por vir. Na verdade, nos bastidores da política e do ?trabalhismo sindical? engendra-se uma aplicação de técnicas de modificação genética no cooperativismo de trabalho. A pergunta que inicia esse debate é: ao modificar-se o gene, modifica-se a essência? Se a resposta for positiva ou negativa, temos, da mesma forma, uma subversão do modelo de trabalho cooperativado no Brasil. No ?laboratório? que se discute e se tenta aplicar essa alteração genética, busca-se incluir no modelo os ?genes? do trabalhismo arcaico de Vargas. Isso mesmo. O cooperativismo transgênico que se propõe tem carga genética da CLT. Começaram a usar e abusar das manobras sindicais, para, de forma inconstitucional, coibir empresas e cooperados de utilizarem-se do modelo. Tudo com apoio oficial.
Forçam manobras no sentido de criar uma verdadeira perseguição às cooperativas de trabalho e serviços espalhadas pelo País e que garantem o pão de milhares de famílias. Agora, vencidos pelo inquebrantável sustento do cooperativismo, que é a vontade autônoma e não subordinada, tentam uma nova jogada – criar controles externos para um modelo que por natureza nasceu livre e contrário aos grilhões patronais e sindicais. Inserir obrigações e encargos de nossa ultrapassada lei trabalhista não é inovar no cooperativismo de trabalho. Tampouco realizar pesquisa e aplicações de novas estruturas genéticas. Se tais organismos quiserem pesquisar modificações, que primeiro entendam a essência do sistema. Caso contrário, não teremos a cooperativa transgênica e sim, tal qual o conto fantasioso de Mary Shelley, acabar-se-á por criar um monstro inadaptável às necessidades do mercado e dos trabalhadores que optam por esse modelo de relação de trabalho e renda.
Talvez seja esse o objetivo dessa conspiração. Talvez queiram modificar o gene do cooperativismo para poder controlá-lo, subjugá-lo e após disseminar-se seus efeitos, então nefastos, solucionarem-se os novos problemas com medicamentos também controlados. Quem sabe a subvenção sindical? Quem sabe novos impostos?
Daniel Augusto Maddalena é consultor especialista em cooperativismo.