Conversa

A notícia do fim de semana é surpreendente: emissários do governo Lula conversaram diversas vezes com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante o período mais complicado do caso do mensalão, aquele detonado pelas acusações do ex-deputado Roberto Jefferson contra o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu – este teria criado um esquema de corrupção para ampliar a base aliada.

Surpreendente é a conclusão desta história: após os contatos dos então ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com FHC. Eles fizeram um apelo ao ex-presidente que se colocasse contra a abertura de um processo de impeachment contra Lula, e Fernando Henrique realmente se manifestou desta forma. Os ânimos da oposição se arrefeceram e o resultado foi o conhecido uma “pizza” que só não poupou, a rigor, José Dirceu e Roberto Jefferson.

Sabendo disso agora, é possível entender as reações dos principais opositores do governo federal no período crítico do mensalão. Após ataques ácidos, os líderes do Democratas e do PSDB mudaram de atitude. Enquanto o senador José Agripino Maia (DEM-RN) aumentava o tom das acusações, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) mantinha-se na defensiva – entretanto, dava entrevistas afirmando que era pré-candidato à Presidência da República e que os tucanos tinham que aprender a ouvir as bases e esquecer as opiniões dos seus “cardeais” – no caso, os governadores José Serra e Aécio Neves e FHC, claro. Era uma manifestação de desagrado.

Agora fica a dúvida. Como vamos acreditar nas duras críticas feitas por Fernando Henrique nos últimos meses ao governo Lula? Por que naquele momento não era interessante criticar Lula e sugerir o impeachment e agora a ordem é “detonar” o presidente? Será que o ex-presidente, no afã de imaginar o enfraquecimento de Lula, preferiu deixar o barco correr? Se foi isso, deu errado, pois nunca o atual presidente teve tanta popularidade. E FHC se vê na condição de líder de uma oposição fragilizada.

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