Contra as drogas

O País começou a empreender uma verdadeira disputa com o tráfico e o consumo de drogas nos anos 60s. O que estava em jogo era a juventude, uma geração de moças e moços. Um pânico que assombrava a todos. Muitas vezes vencia as drogas em virtude de uma mente repressora que predominava na sociedade daquela época, que tinha limitações para compreender o espírito inquieto da mocidade.

A transgressão era a marca registrada de uma geração que tinha como ícone o revolucionário Ernesto Che Guevara, o mito do socialismo em Cuba; além disso, aquela geração se celebrizou pelo combate que fez ao autoritarismo de Estado, reivindicando o retorno dos direitos democráticos aos cidadãos brasileiros.

A sociedade e a repressão se esqueceram de oferecer àquela geração uma perspectiva que levasse em conta a inclusão social de todos os jovens. Ao invés disso, a ditadura militar insinuava privatizar a educação pública e se alinhava a projetos escusos aos interesses nacionais. De lá para cá, aprofundou-se a dependência econômica do País em relação aos países mais desenvolvidos; veio à flor da pele o desemprego dos jovens com idade entre 16 e 24 anos; acelerou-se a mercantilização da educação, enfim, institucionalizou-se a política da exclusão e se transformou em praxe o rentismo com a prática dos juros altos em contraposição ao oferecimento de uma perspectiva social palpável a todos.

Pois bem. Com a redemocratização do Brasil, veio Collor de Mello, que foi cassado por corrupção. Adiou-se, então, a devolução da dignidade à juventude, mas ela foi à luta em busca da cidadania plena (que conseguiu com o impeachment). Após, a sociedade tentou restabelecer conquistas históricas, mas FHC escancarou a nação ao projeto neoliberal durante oito anos e mercantilizou ainda mais a educação.

Faço este relato para fundamentar minha opinião de que não faz sentido uma política de combate às drogas apenas com a repressão. É fundamental que haja um choque de Estado nas regiões mais deprimidas, onde impera a lei do tráfico e, conseqüentemente, a da miséria. Somente teremos uma juventude afastada das drogas se houver políticas públicas que a inclua no mercado de trabalho e ofereça justiça social, enfim, a tão sonhada perspectiva que os regimes de exceção tomaram de várias gerações nos últimos 40 anos.

Acredito que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Roberto Requião estão no caminho certo quando oferecem programas sociais como ?Segundo Tempo?, que fornece alimentação e materiais esportivos no contraturno escolar; ao possibilitar o acesso dos pobres ao ensino superior por meio do ProUni; ao transformar o Cefet na primeira universidade tecnológica do País.

Ou seja, o combate às drogas se dá com ações práticas. Só perderemos a juventude para o tráfico se o Estado não for capaz de oferecer alternativa. E isso Lula e Requião estão fazendo muito bem. Por isso eles estão conseguindo derrotar as drogas. Mas ressalto que para recolocarmos o bonde na linha vai mais tempo. Foram décadas de desmandos e de exclusão, que dificilmente se debelam em poucos anos. Mas, como diria o poeta, sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só; sonho que se sonha junto é realidade.

Hermes Fonseca é deputado estadual pelo PT do Paraná.

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