Começa hoje o campeonato brasileiro de futebol, a primeira divisão do esporte mais popular do País. Vão se confrontar em 38 rodadas, até dezembro, os vinte melhores times do Brasil, entre eles o Atlético e o Coritiba – os alviverdes estreiam hoje, contra o Palmeiras, em São Paulo; os rubro-negros amanhã, contra o Vitória, em Curitiba. E, como em muitos setores da sociedade paranaense, boa parte da mídia diz estar preocupada com o rendimento dos times.
A reação da imprensa é apenas o sentimento de muitos torcedores, que têm a certeza de que os dois principais clubes paranaenses não conseguirão suportar a pressão de tão complexa e longa competição. Para estes, talvez ficaremos relegados a um segundo plano, correndo o risco de rebaixamento (para a segunda divisão, onde está o Paraná Clube, que entra em campo esta tarde contra o Bahia, em Salvador).
Não é assim apenas no futebol. A atitude provinciana e restritiva é comum para os paranaenses. Desvalorizamos o que é nosso, desaprovamos a maioria das ações que tentam melhorar o Estado e somos reféns de uma desilusão que parece não ter fim.
“Não temos bons políticos.” “Nossa indústria é frágil.” “Nossos pontos turísticos são fracos.” “O interior não gosta da capital.” “A capital não gosta do interior.” “É por isso que nosso Estado não vai para frente.” É possível que todos tenhamos escutado alguma (ou a maioria) destas frases quando falamos do Paraná. É muito mais fácil encontrar quem reclame do Estado do que alguém que o defenda.
É assim também com os profissionais de sucesso que temos no teatro, na imprensa, na economia e em outros setores. Apesar de plenamente exitosos e reconhecidos no País, eles são desvalorizados por aqui.
A propalada “autofagia” nos deixa longe de estados mais fortes, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais. E, por conta disso, ficamos afastados da maioria dos processos decisórios na política e na economia. Mas, quem sabe uma boa participação de Atlético e Coritiba no campeonato brasileiro comece a mudar a mente de algumas pessoas.