Munido de números, cálculos e de muita agressividade, o chefe do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Celso José Mello, reuniu a imprensa para uma entrevista coletiva na manhã de ontem. O objetivo era deixar claro para o público que há qualidade na preparação dos policiais, e que casos como os ocorridos em Balsa Nova e Porto Amazonas nos últimos dias, o assassinato de inocentes em ações desastradas da polícia, são exceções à regra.

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O coronel Mello garantiu que não houve redução no tempo de formação dos policiais -continuam sendo 760 horas para o soldado, mais 340 horas para o cabo e mais 715 horas para o sargento. Houve, segundo ele, redução no período de preparação, de oito para quatro meses.

Parando neste momento, vamos pensar. Usando uma comparação simples, qual é o aluno mais preparado, melhor ensinado: aquele que fez todo o ensino fundamental e médio ou aquele que fez o supletivo? É melhor aprender bem, sem se preocupar com o tempo, ou correr para tentar saber tudo o mais rápido possível.

O aprendizado não pode ser simplesmente medido em horas/aula ou em cursos aplicados. É algo mais profundo, que exige do professor e do aluno dedicação, empenho e responsabilidade. É assim em todas as áreas, tem que ser assim quando se ensina um cidadão comum a ser um guardião da lei, um responsável pela segurança pública.

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Disparar contas que não convencem é muito simples. Às vezes, com um bando de números à nossa frente, ficamos baratinados, e podemos perder o foco. E o foco da Polícia Militar é proteger o cidadão, não tratar todos como bandidos ou, lidando com bandidos, atirar primeiro e perguntar depois, como faziam os pistoleiros de outrora.

E se fosse tão brilhante o treinamento que os futuros policiais militares recebem, por qual motivo a Secretaria da Segurança Pública não permitiu que a equipe de O Estado do Paraná acompanhasse um dia de trabalho dos aspirantes na academia do Guatupê? A população quer saber como é a preparação daqueles que, na teoria, estarão nas ruas para nos proteger.

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