Antônio Wrobleski Filho

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As negociações entre os governos de países sócios do Mercosul caminham para a consolidação desta área de livre comércio, embora no mundo corporativo ela já esteja solidificada, ainda que de forma tácita, implícita. Para a composição desse cenário, o principal agente colaborador é o setor automotivo (montadoras e autopeças) que, no Brasil, a principal economia do bloco, movimentou US$ 42,2 bilhões no ano passado, conforme informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Esse valor representa, nacionalmente, 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e 15% do PIB industrial. O trabalho em conjunto das companhias desse segmento derrubou as fronteiras entre Brasil e Argentina e transformou esses dois países numa única região industrial, apesar da falta de políticas macroeconômicas bem definidas.

No Brasil e na Argentina, as montadoras de veículos encararam os desafios da integração do mercado e, atualmente, possuem fábricas interligadas nos dois países. Os reflexos desse avanço são percebidos em todas as áreas, desde o ambiente de negócios até os aspectos produtivos e até sociais, pois, quando os executivos tomam decisões no sentido de aproximar os mercados e diminuir as distâncias, todo o processo de integração social avança na região, principalmente no que diz respeito à internacionalização das pessoas.

Exemplo disso é percebido na área de logística de transporte, quando notamos que os motoristas brasileiros que trafegam entre Brasil e Argentina falam o português e o espanhol básico, além de conhecerem de perto os costumes, as estradas e a cultura do país vizinho. Outro ponto ilustrativo dessa questão são os softwares para gestão e visualização de frota que, para serem eficientes, têm de ?falar? português e espanhol.

Para a indústria, de modo geral, o Mercosul já é uma realidade, independentemente da participação dos governos. A busca pela máxima eficiência e para driblar os entraves ao desenvolvimento pode ser notada em vários aspectos. Um deles é a diminuição do custo de transportes que, no início da criação do bloco, em 1995, girava em torno de US$ 5 mil para uma viagem do Brasil à Argentina e, hoje, é de cerca de US$ 2 mil. Outro fato é que, atualmente, os mercados desses dois países são muito parecidos e os consumidores têm à disposição a mesma oferta de veículos.

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Esse panorama empurra o campo político a tomar providências no sentido da integração, tanto que, ao final de junho, em Buenos Aires (Argentina), assistimos à assinatura do acordo automotivo do Mercosul, que terá prazo de vigência de 24 meses, partindo de 1.º de julho. Seu principal ponto é a redução do ?flex?, mecanismo que determina o fluxo de comércio bilateral entre Brasil e Argentina com isenção de tarifas de importação, que foi reduzido de US$ 2,60 para US$ 1,95; para cada US$ 1,95 exportado para qualquer um dos dois países é permitido importar US$ 1,00 com isenção de Imposto de Importação. Porém, o setor espera regras de longo prazo para estabelecer um eficiente comércio automotivo bilateral.

A logística tem papel fundamental para a integração econômica e social do Mercosul. Nesse setor, os projetos são complexos. Com início do MilkRun, que são as coletas programadas nas indústrias de autopeças, têm consolidação nos centros de cross-docking, passam pelo transporte internacional, finalizando com a chegada dos produtos aos clientes finais. Tudo isso envolvendo gestão sistêmica com softwares de gerenciamento e visualização de frota, GPS (Global Position System), interface com sistemas de gestão de armazenagem e, principalmente, com envolvimento das pessoas que controlam as operações cada vez mais internacionalizadas pela consolidação tácita do Mercosul.

Antônio Wrobleski Filho é engenheiro eletrônico, Ph.D. em Finanças e presidente da subsidiária brasileira da Ryder Logística.

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